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  • Alagoas, de 2013

JHC contou que, nesta quarta, ocorreu mais um protesto na cidade por parte das vítimas das enchentes de 2010. Ele também revelou que fez contato com líderes da mobilização.

23/05/2013 09:37

Foto de Olívia de Cássia

 

Por assessoria

Durante a sessão desta quarta-feira (22) na Assembleia Legislativa, o deputado João Henrique Caldas fez questionamentos sobre as casas do Programa de Reconstrução, destinadas às vítimas das enchentes que atingiram o município de Santana do Mundaú em 2010. Segundo o parlamentar, a situação do conjunto de casas destinadas a essas pessoas é preocupante.

“Faço o apelo aqui ao governo do Estado, ao coordenador do Programa de  Reconstrução, vice-governador José Thomaz Nonô, para que olhe por essas casas. Isso é apenas o início de um grande problema. Essas casas já estão se deteriorando. Já há muita lama juntando essas casas. Não há um cuidado”, declarou o parlamentar.

“Existe uma escola, que custou quase R$ 1 milhão, que o terreno já está cedendo, não foi feita a obra da forma correta. O terreno já tinha sido condenado. Mas, mesmo assim, fizeram a escola. É preciso observar essas coisas. Senão, posterga-se o problema mas, uma hora, ele surge. É inevitável”, finalizou JHC.

JHC contou que, nesta quarta, ocorreu mais um protesto na cidade por parte das vítimas das enchentes de 2010. Ele também revelou que fez  contato com líderes da mobilização. Ele lembrou que passou para o coordenador do Programa de Reconstrução todas as informações referentes à cidade de Santana do Mundaú. Nonô esteve, recentemente, na Assembleia, para prestar informações sobre o programa.

“Na cidade, localizada na Zona da Mata, existe um conjunto com 1.261 casas, mais de 6 mil pessoas morando lá. Essas casas foram invadidas, houve reintegração de posse, essas pessoas tiveram que sair. Poucos ficaram, como remanescentes dos invasores, porque não tinham para onde ir. Não existe aqui um acompanhamento, como em Pernambuco. Em virtude disso, essas famílias ficaram lá. Vieram as chuvas agora, o rio começou a subir novamente”, narrou JHC.

“Hoje, mais 50 famílias, além das que já estavam, voltaram para as casas, já fizeram protestos na entrada da cidade, e estão reivindicando a água e a luz no conjunto habitacional”, acrescentou.

O deputado lembrou que a Caixa Econômica só pode liberar as casas quando estiverem prontos a pavimentação asfáltica no acesso ao conjunto, além do saneamento básico. Contudo, segundo JHC, circula a informação de que a empresa responsável pela obra está sem recursos suficientes para a conclusão dessas obras.

“É muito preocupante, porque é esperado um aditivo. É uma obra caríssima, não existe um palmo de asfalto, a não ser na entrada. Após o conjunto, não existe mais. Hoje, é lama. Começou a chover, já está havendo erosão, e há casas em cima de barreiras. É uma tragédia. As  pessoas vivem lá sem saneamento básico, depositadas naquele local sem energia, sem segurança”, disse.

“As sacolas de plástico tradicional, quando descartadas de forma irresponsável, acabam indo parar nos esgotos e, consequentemente, no mar, o que pode gerar a morte de animais marinhos que acabam as confundindo com águas vivas, como as tartarugas marinhas”

22/05/2013 09:29

Foto: Assessoria

Deputado JHC

Deputado JHC

Assessoria 


Na sessão de terça-feira, 21, o deputado João Henrique Caldas (PTN) pediu, em projeto de lei, a substituição das sacolas de plásticos produzidas a partir do petróleo, por sacolas de plástico biodegradável.

Segundo ele, as sacolas comuns agridem o meio ambiente e também atrapalha o turismo na região, já que seu descarte é feito de forma irregular. Ecologicamente corretas e com uma grande capacidade de absorção, pelo solo, JHC requisitou meios para que a população possa fazer uso das sacolas de material orgânico no dia-a-dia.

“As sacolas de plástico tradicional, quando descartadas de forma irresponsável, acabam indo parar nos esgotos e, consequentemente, no mar, o que pode gerar a morte de animais marinhos que acabam as confundindo com águas vivas, como as tartarugas marinhas”, disse o deputado.

O turismo no estado seria outro beneficiado, já que as praias alagoanas atraem milhares de visitantes todos os anos. Segundo João Henrique 
Caldas, o acumulo desse material na faixa de areia espanta o turista. 

“Uma sacola biodegradável não agrediria tanto, já que possui uma maior facilidade de desintegração, coisa que não acontece nas sacolas de 
plástico oriundas do petróleo, que ajudam a dificultar ainda mais o trabalho da natureza”, finalizou.

Não venham me dizer que isso só acontece por aqui, em nosso Estado. Agredir, matar, estuprar uma mulher ou uma menina são fatos que têm acontecido ao longo da história em praticamente todos os países ditos civilizados.

19/05/2013 12:07

Olivia de Cássia - jornalista

Não tenho a estatística oficial da morte de mulheres por assassinato em Alagoas, mas na última vez que pesquisei o site da Defesa Social o percentual era de 4% com relação aos assassinatos de homens;  avalio que esse percentual tenha aumentado este ano, devido aos casos que venho acompanhando no noticiário.

É visível isso na imprensa, na maioria das vezes, crimes cometidos por homens covardes, cruéis, inconformados com o fim do relacionamento, por envolvimento com companheiros do tráfico ou elas próprias envolvidas com droga ou em relacionamentos com homens comprometidos.

Não venham me dizer que isso só acontece por aqui, em nosso Estado. Agredir, matar, estuprar uma mulher ou uma menina são fatos que têm acontecido ao longo da história em praticamente todos os países ditos civilizados e dotados dos mais diferentes regimes econômicos e políticos, diz o texto Estudos Avançados  Violência contra a mulher e políticas públicas, de Eva Alterman Blay, publicado no site http://www.scielo.br.

 A magnitude da agressão, porém, varia, diz ela: “É mais frequente em países de uma prevalecente cultura masculina, e menor em culturas que buscam soluções igualitárias para as diferenças de gênero”.

Antigamente, quando uma mulher se envolvia com um homem casado ela era discriminada na sociedade, era vítima de muitos falatórios e muitas vezes e na maioria delas eram expulsas da família, como leprosas ou do próprio meio onde vivia.  Acompanhei isso na literatura e observei muito o fato em União dos Palmares.

O tempo passou, os relacionamentos amorosos mudaram, as mulheres conquistaram postos de comando no mercado de trabalho, assumiram viver sozinhas ou em relacionamentos de união estável, mas a violência contra esse extrato da sociedade aumenta com o passar dos anos e com a evolução dos costumes. 

Eva Blay observa que matam pessoas do sexo feminino de todas as idades, desde bebês até mulheres com mais de setenta anos, mas prevalece a faixa compreendida entre 22 e trinta anos, segundo o estudo feito por ela.

Blay acrescenta que os jornais, já na década de 1990, indicavam que 22% dos crimes eram motivados por tentativas de separação, ciúme, ou suspeita de adultério. Em 2000, estes mesmos motivos cresceram e foram responsáveis por 28% dos crimes.

Nos últimos anos a gente tem acompanhado o ‘fenômeno’ com muita frequência. Este ano, em Alagoas, vimos o caso de uma mulher inconformada com a gravidez de outra de seu companheiro envolvido com o tráfico e mandou executá-la, com requintes de crueldade.

O noticiário informa que mulheres  estão sendo raptadas e mortas por conta de crimes passionais, jovens universitárias que têm o futuro e a juventude interrompidos por pura estupidez.  Na semana que passou a sociedade soube do assassinato de uma menina grávida e o crime teria sido porque o assassino não aceitou a gravidez dela.

Gente, estamos no século XXI, a sociedade se ‘modernizou’ e nem assim essa barbárie teve fim. E eu fico me perguntando que evolução social é essa. É impressionante isso. Também a gente vê mulheres jovens que engravidam irresponsavelmente, mesmo com a distribuição de anticoncepcional nos postos de saúde, camisinhas, mas nem assim esse problema tem acabado. Parece que aumenta a cada dia.

Queria levantar esse tema hoje porque não me conformo com isso e não quero observar a questão apenas pelo lado religioso, sobre o motivo dessa deterioração na vida de muitas meninas, que mal saem das fraldas, nem brincam mais de boneca e já estão envolvidas em relacionamentos enrolados ou grávidas.

Talvez falte política pública para a diminuição desse problema, vão me dizer. É fato, mas também avalio que é a própria deterioração dos relacionamentos numa sociedade consumista, onde tudo parece descartável, até as pessoas. Hoje qualquer briga já é motivo de uma separação. Não se tem mais tolerância e nem paciência para nada, avalio eu. Fica a reflexão.

Em tempo chuvoso ficava difícil o percurso e às vezes a gente levava quedas e ficava com a roupa toda cheia de barro: tanto eu quanto a minha avó.

19/05/2013 09:08

Olívia de Cássia – jornalista

 

O domingo amanheceu como aqueles em dias de maio, em União dos Palmares. Lá em casa a rotina era a mesma toda semana: meu pai ia à missa e levava todos nós, quando éramos crianças. Quando eu não ia com ele, ia com minha avó Olívia, de quem herdei o primeiro nome, devido às dificuldades da idade dela.

Eu e minha avó, para encurtar o caminho, íamos à igreja pela grande ladeira, que naquela época ainda não tinha recebido o calçamento. Da Rua da Ponte até lá, passávamos pela ponte, dobrávamos à direita e seguíamos pela antiga feira do gado, até chegar á ladeira, paralela à Rua da Cachoeira.

Em tempo chuvoso ficava difícil o percurso e às vezes a gente levava quedas e ficava com a roupa toda cheia de barro: tanto eu quanto a minha avó. Lembro que no pé da ladeira tinha uma cacimba, onde os moradores da proximidade se abasteciam de água potável.

Aos domingos naquela época a alimentação da família lá em casa era muito simples. Comidinha caseira da roça; não tinha nenhuma sofisticação. No almoço o cardápio era macarrão e galinha, principalmente de capoeira, só aos domingos.

E a gente criança ficava torcendo para que chegasse logo o domingo, porque além dessas iguarias, minha mãe fazia pão-de-ló, rocambole e doces caseiros.

Também aos domingos, depois da missa, isso ainda na Rua da Ponte, era dia de tomar banho no Rio Mundaú, escondido da minha mãe; quando chegava em casa com a roupa encharcada, ela tratava logo de nos dar uma surra.

Já na Tavares Bastos, era dia de sair rua a fora com as amigas; quando crianças nós tínhamos o hábito de visitar os padrinhos e eu ia passear de jipe, eu e Luciana Medeiros, com meu padrinho Durval Vieira, de quem eu tenho doces lembranças.

Meu padrinho tinha esse carinho: quando eu morava na Rua da Ponte, todos os domingos ele chegava lá em casa para me levar para o passeio. E íamos até Branquinha pela ponte do povoado Cabeça de Porco, acesso antigo para Maceió e depois íamos até a Fazenda Sete Léguas, que era de propriedade dele.

Na Sete Léguas, que fica na Fazenda Frios, nós tomávamos banho no açude e comíamos muitas frutas: goiabas quase verde (as minhas preferidas) e muitas seriguela. Também aproveitávamos para ir até o curral ver o gado.

Essa vida eu adorava, quando não estava na Barriguda, do meu tio Antônio de Siqueira Paes, onde está toda a minha memória afetiva, junto com a Rua da Ponte. Era lá que a gente realizava as doces fantasias da infância.

Depois que a gente cresce toma outros rumos e a vida vai tratando de nos distanciar daquilo que a gente viveu na infância, mas a minha memória, até agora, não me falhou e ainda estão bem vivas essas doces lembranças daquilo que vivi nos belos tempos da infância.

 

Temos jovens que sofreram violências ou que participaram de algum ato de violência. Já perdemos 17 que saíram do programa e quando voltaram para a família foram assassinados”, conta o padre Tito.

16/05/2013 22:55

Foto: Olívia de Cássia

Crianças praticam atividades na  Casa Dom Bosco

Crianças praticam atividades na Casa Dom Bosco

Fotos de Olívia de Cássia

 

Olívia de Cássia - Repórter

 

Menores que vivem em situação de risco e que participam do programa de recuperação da Fundação D. Paulo II de Maceió, precisam de reinserção social. A instituição é mantenedora da Casa Dom Bosco, existe em Maceió há 20 anos e está localizada na comunidade da Santa Amélia, em Maceió.

São 32 menores do sexo masculino, dependentes químicos, que voluntariamente assumiram um projeto-programa de recuperação da entidade, encaminhados pelos Conselhos Tutelares, Juizado de Menores ou pela Secretaria da Paz, que é parceira do programa.

Segundo o padre Tito Régis, presidente da Fundação, o programa que é oferecido aos jovens dura de seis meses a um ano, de acordo com o progresso do jovem adolescente, mas se precisar prolongar a permanência na Casa isso é feito.

Ele pontua que, para o jovem se reinserir na sociedade, sem sofrer violência, seria necessário um programa continuado que acompanhasse também a família, quando ele sai do programa, pois na maioria das vezes, quando voltam para casa sofrem violência, segundo o padre.

“Temos jovens que sofreram violências ou que participaram de algum ato de violência. Já perdemos 17 que saíram do programa e quando voltaram para a família foram assassinados”, conta o padre Tito.

CONVÊNIOS

O religioso concedeu a entrevista para o blog no começo da noite desta quinta-feira, 16, e disse que a Casa Dom Bosco trabalha com menores de 18 anos, meninos de 12 a 16 anos, que recebem aulas de informática, fazem curso de eletricista, padeiro, entre outros.

A Casa Dom Bosco tem alguns convênios: com o Governo do Estado, por intermédio da  Secretaria da Paz (Sepaz), com ajuda da comunidade, da igreja católica, mas não tem nenhum outro convênio, nem  empresa como parceira.  “Recebemos ajuda da comunidade”, disse ele.

Segundo o padre, esses colaboradores favorecem a Casa “com a doação de alimentos, com muitos serviços voluntários e um trabalho de arrecadação, por meio de carnê de dizimistas, que recolhem doações para a Fundação”, disse ele.

Os adolescentes assistidos pela Casa Dom Bosco também têm atividades terapêuticas com acompanhamento de psicólogo, médico, assistente social que, segundo Tito Régis, aplicam a metodologia dos doze passos, semelhante ao programa dos Alcoólicos Anônimos.

“O programa já é aplicado pelos Alcoólicos Anônimos e outras entidades em que o jovem vai progressivamente confrontando consigo e as alternativas apontadas para a superação da dependência química”, conta o padre.

Ele relata que durante o dia, a partir das cinco da manhã, os meninos da Casa Dom Bosco fazem várias tarefas como a limpeza e a higiene da Casa. “Depois os funcionários fazem o aperfeiçoamento desse trabalho”, pontua.

Além dessa atividade, os meninos assistidos pela instituição salesiana cuidam da horta, criação de peixes, porcos, galinhas patos e coelhos. Depois dessas tarefas, segundo o padre, “há o momento de oração e reflexão”.

DOAÇÃO

Os meninos assistidos pela Fundação Dom Paulo II, depois que realizam as atividades matinais vão assistir aula na Escola Carlos Novelo, que está localizada quase em frente ao prédio da Fundação, no bairro da Santa Amélia e foi uma doação de uma associação italiana.

Segundo o padre, na Escola Carlos Novelo, que é mantida pela Fundação, são oferecidos cursos profissionalizantes: eletricistas, marcenaria, cursos de informática, panificação, depois atividades esportivas como kung fu, capoeira, entre outras.

Padre Tito reforça que o critério da Casa Dom Bosco, para ser inserido no programa é: “Ele é dependente químico, está em situação de risco, precisa de uma proteção. Esse é o critério de acolhimento da nossa casa”, reforça.  Segundo ele, os meninos são separados por idade para que tenham atividades diferentes, para que o de 16 ou 17 anos não fique junto do de 12.

Além da Casa Dom Bosco, a instituição também funciona no abrigo estudantil, no Farol, que é um abrigo para jovens estudantes que não têm dinheiro para pagar uma pousada, um hotel, “ou dividir uma república de estudantes”, conta o padre.

Além desses locais ele diz que tem outra casa para jovens que terminam o programa, mas não podem ser reinseridos na sua família.  “Estamos pretendendo abrir mais duas casas, que são propriedade da Fundação, mas não temos ainda condição de manter”, explica o padre.

Ele observa que seria uma casa para um trabalho prévio para que o jovem fosse preparado antes de ir para a Casa Dom Bosco, “para não se misturar com quem já está no programa, em tratamento que venha a complicar quem já está sendo trabalhado”.

O segundo local, segundo o padre, seria mais uma casa de reinserção: “Como o menino vive em uma comunidade de risco, com família destroçada, destruída, ou ele mesmo ainda não estando tão seguro da sua reinserção, ele ficaria fazendo residência nessa casa enquanto trabalhasse e estudasse”, argumenta.

Quando a reportagem chegou à instituição um grupo de meninos estava fazendo aulas de capoeira. Domingos Sávio (nome que recebeu na casa) tem 16 anos e está no local há quatro meses.

Ele mandou um recado para os jovens que estão no mundo da droga e disse que não pensassem só neles: “Que pensassem em suas mães, porque quem está lá fora, na droga, além de estar se destruindo está destruindo a sua família também”, reforça.

Rodolfo, também de 16 anos, diz que está no local vai fazer quatro meses ainda. Ele pede que  o jovem que está usando droga  vá buscar Deus e que procure uma casa de recuperação. “Eu quero dizer para todos que estão lá fora que lutem contra a droga e desejo  que não aconteça nenhum mal, que Deus ponha a mão no coração de cada um”, finaliza.