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Ailton Villanova
18/05/2013 23:20
Excepcional criatura humana, o ex-prefeito e ex-deputado Jota Duarte legará às gerações mais novas modelares histórias que vivenciou ao longo de sua vitoriosa carreira política. De sua vida pessoal, deixará à posteridade exemplos de grandeza de espírito e de como se conduzir na política sem deixar nódoas.
É um dos homens mais íntegros que conheço e isso certamente tem orgulhado familiares e amigos.
Tanto como prefeito de Palmeira dos Indios, quanto como deputado representando sua terra na Assembléia Legislativa, sempre dispensou a melhor das atenções aos seus conterrâneos palmeirenses, principalmente aos mais carentes. Esse, foi um dos motivos pelos quais nunca perdeu uma eleição em Palmeira dos Indios. Afastou-se da vida pública por livre arbítrio, mas deixou seu filho, o médico Fernando Duarte, fazendo as suas vezes. E este tem seguido os bons exemplos do pai.
Jota Duarte sempre foi um político criativo. Lembra o jornalista Bernardino Souto Maior, um dos seus grandes amigos, que o velho Jota certa feita inventou de promover excursões turísticas à Maceió, excursões estas destinadas aos matutos que nunca assentaram os solados dos pés na Capital. Periodicamente, mandava encher ônibus e mais ônibus de caipiras, que só faltavam morrer de felicidade quando avistavam as coisas bonitas que Maceió tem, principalmente o mar, ponto culminante da excursão. Todo sonho do matuto é conhecer o mar.
Numa dessas últimas viagens de recreio à Maceió, Jota Duarte incluiu o agricultor Severino Xavier (seu Biu) que, como seus amigos das viagens anteriores, nunca tinha visto o mar na vida dele. Quando ele bateu os olhos naquela boniteza de água azul quebrando na praia, ficou mudo de espanto, a baba escorrendo pelo canto da boca!
Em todas essas incursões, o deputado Jota Duarte se fazia presente. Era uma felicidade pra ele, também, ir junto com a turma.
Saindo do espanto, seu Biu correu para junto do parlamentar, mal podendo falar:
- Doutor Jota, qui coiza mais linda é essa, meu Deus do céu?! Qui açudão!
E o parlamentar, muito didático, ensinando ao palmeirense:
- Essa, seu Biu, é realmente, uma das coisas mais belas que a natureza já fez. E quando esse mar cresce, que lindo espetáculo!
O queixo do matuto caiu:
- E esse mar cresce, dotô Jota?
- Cresce de acordo com a variação do tempo, posição do vento, movimento da terra, etc, etc...
O matuto arregalou os olhos, esfregou uma mão na outra e propôs:
- Entonce, dotô Jota, bóra fazê um negóço.
- Vamos!
- O sinhô manda pegá um marzinho bem pixototinho, bota dentro de uma lata, leva pra Parmêra e dá munto pêxe pra ele, pra móde ele crecê, inté ficá grandão cuma esse açudão daí. Agaranto qui nunca mais vai fartá água nem no Agreste e nem no Sertão!
O quépi do Zé Luiz
O policial civil aposentado José Luiz, mais conhecido como "Du", sempre foi um mulherengo incorrigível. Desde quando era molecote no distrito do Mutange. Morava quase em frente ao campo do CSA, onde tentou ser goleiro, mas não deu. Era "frangueiro" demais! Hoje em dia, garante o velho Du que, "apesar de um pouco gasto, ainda dou os meus pinotes!"
Zé Luiz ingressou na Polícia Civil assim que foi extinta a Guarda Civil estadual, que era uma corporação de respeito. Apesar de não ter as mordomias e as modernidades que as polícias de hoje em dia possuem, a GC cumpria o seu dever constitucional sem os arroubos e as frescuras que a gente vê hoje em dia. Mas essa é outra história.
Certa feita, quando ainda vestia a farda da GC, Zé Luiz perdeu o quépi e quase foi à loucura, porque ai do guarda que perdesse uma peça de sua vestimenta! Era punição na certa.
Para esfriar a cabeça, Zé Luiz resolveu entrar na igreja de São Benedito, já que era o encarregado de controlar o tráfego de veículos na esquina da rua do Alecrim com a rua Augusta.
O guarda Du sentou no banco da frente e ficou de cabeça baixa, sem prestar atenção na missa que o padre Luiz Sarmento celebrava. Na hora em o reverendo subiu no púlpito para pronunciar o sermão, ele reparou na figura tristonha do guarda Du. Terminada a cerimônia religiosa, padre Sarmento chamou o Du e perguntou:
- O que está acontecendo com você, meu filho? Nunca o vi triste desse jeito!
E o Du, com a cara mais descontraída:
- Tô mais triste não, padre. Já passou!
- Graças à São Benedito! Mas por que você estava tão acabrunhado?
- Pelo seguinte, padre... eu havia perdido o meu quépi, não sabia onde, e estava com medo de ser punido. Era detenção, na certa! De repente, me lembrei onde tinha deixado quando o senhor chegou naquela parte do adultério!
Dada a explicação, Zé Luiz deu meia-volta e saiu disparado da igreja. Foi bater na Levada, onde o quépi encontrava-se bem guardado na residência de um certo funcionário do Serviço Nacional de Malária. A mulher do referido, que era muito cuidadosa, costumava receber, com frequência, a visita do guarda Du. Sempre de madrugada.
Dieta forçada
Certa manhã de sexta-feira, o escritor e deputado Temóteo Correia saía da Assembléia meio apressado, e aí trombou com o servidor público Aristófeles Jatuba. No que botou o olho no cara, Temóteo deu um pulo para trás e falou com certo ar de espanto:
- Mas o que é isso, rapaz?! Você está magro demais! Quase não o reconheci!
- É, excelência...
- Que dioabo você anda fazendo pra perder tanto peso desse jeito? Dieta? Macrobiótica?
- Nem uma coisa e nem outra, deputado. É fome mesmo! O senhor tá esquecido que eu sou funcionário público estadual?
18/05/2013 00:49
Batalhador incansável pela melhoria de vida do povo das Alagoas, político de lingua afiada, administrador público respeitado, Albérico Cordeiro está tentando voltar ao parlamento, depois de uma breve pausa como legislador, para dedicar-se à prefeitura de Palmeira dos Indios. Durante oito anos enfrentou uma oposição nem sempre ética. Mas, em compensação, recebeu os aplausos de agrestinos profundamente agradecidos pelos benefícios que, por seu intermédio, obtiveram, direta ou indiramente, do poder público municipal palmeirense.
Em Brasília, Cordeiro continua sendo uma pessoa conhecidíssima de poderosos e de gente simples, também. Afinal, durante mais de quarenta anos ali residiu e frequentou, tanto como jornalista, ou exercendo seguidos mandatos de deputado federal, gabinetes de ministros e de dirigentes de órgãos públicos do governo federal, batalhando em favor de sua gente, que não se resume apenas a conterrâneos pilarenses e antigos governados palmeirenses. Cordeiro é de Alagoas e isso ele leva muito a sério.
"Cordeiro Trabalha!" - esse era o seu slogan, a sua bandeira de luta.
Enquanto outros parlamentares permaneciam distante do povo, dele só se aproximando nas épocas eleitoreiras, Cordeiro percorria as mais distantes bibocas alagoanas, ouvindo pessoas, escutando os seus lamentos, as suas reinvindicações. Por isso sempre foi um vitorioso.
Um dia, necessitando descansar as canelas, ele resolveu estacionar sua pessoa na terra que um dia também fora adotada por Graciliano Ramos, a encantadora e histórica Palmeira dos Indios.
Voltando aos tempos anteriores àqueles em que cumpriu o mandato de prefeito de Palmeira dos Indios, encontramos Albérico Cordeiro percorrendo o Sertão alagoano, em campanha para reeleger-se, mais uma vez, à Câmara dos Deputados.
Enfrentando um sol causticante, Cordeiro caminhava por umas quebradas da distante Delmiro Gouveia, suando mais do que tampa de chaleira. Um aperto de mão aqui, outro alí, um abraço acolá...
E lá ia ele aplicando tapinhas nas costas dos mais velhos e passando a mão nas cabeças dos mais novinhos. De repente, ele parou na porta de uma casinha humilde, abarrotada de menininhos sambudinhos. Com aquele vozeirão de locutor dos antigos jornais-falados de emissoras de rádio, ele cumprimentou a dona da casa:
- Bom dia, minha irmã! Eu sou o deputado federal Albérico Cordeiro...
- É? - fez a mulher, com indiferença.
- Sou. Estou em campanha aqui pelo Sertão, sentindo o drama da gente humilde e sofrida deste torrão...
- Torrão? Ah, bom.
Sol quente, tinindo, e o ilustre parlamentar matraqueando no ouvido da mulher. Daí a pouco, começou a sentir fome. Já passava do meio-dia. Então, Cordeiro propôs à distinta senhora almoçar ali mesmo, comprometendo-se pagar a comida.
Madame preparou uma galinha de capoeira ao molho pardo, rango, aliás, da preferência do deputado. Cordeiro estraçalhou a penosa em questão de segundos. Em seguida, tomou um caneco de água, estalou a lingua no céu da boca, soltou um arroto caprichado e finalmente falou:
- Quanto foi a despesa, dona Maria?
- Déis mirréis, dotô! Tá bom?
Conhecido como tremendo "figa de aço", Cordeiro espantou-se:
- É difícil encontrar galinha por aqui, minha irmã?
E ela:
- Inté qui num é, dotô! É meio facizinho. Puraqui, difíci mêrmo é deputado!
Imagem e prosa
Excepcional criatura humana, crânio privilegiado, Raymundo Tadeu permanece como insubstituível no quadro técnico das rádios Gazeta (AM e FM). Deus achou de levá-lo mais cedo, certamente para manter nos trinques as emissoras celestiais.
Tadeu era que nem o professor Pardal: pintava as canecas na eletrônica. Se não tivesse ido embora pro céu, hoje estaria concorrendo com os candidatos mais fortes ao Nobel.
Em razão da fama de gênio que ganhou no Nordeste, Raymundo Tadeu andou prestando assessoria a diversas entidades, públicas e privadas.
Seu nome chegou aos ouvidos de determinado prefeito interiorano, que que queria por todos os meios instalar uma emissora de TV na sua cidade. Tadeu foi lá e, com a sua competência e humildade, expôs ao alcáide as condições mínimas para a implantação da repetidora.
- Me dê aí a relação dos materiá, dotô! - pediu o prefeito.
Ali mesmo, na hora, Raymundo Tadeu preparou a relação solicitada e o prefeito perguntou:
- Adonde qui eu vô comprá esse materiá todo?
- Em São Paulo! - respondeu o técnico. - O endereço está aí!
Semana e meia depois, Tadeu recebeu um telefonema do prefeito:
- Comprei, dotô! Chegue pra cá pra mode a gente cumeçá logo o selviço.
Nosso bom Tadeu bateu lá num instante. Assim que botou os olhos no equipamento adquirido pelo chefe da edilidade ineriorana, ele reclamou:
- Esse material é fajuto! Não foi esse o que eu recomendei! Presta não!
Onde o senhor comprou...?
- Eu comprei na Bahia, pela metade do preço... Quando o sinhô vai cumeçá a "estalá" a ripitidora?
- Com esse material eu não instalo. Não vai funcionar. A imagem vai ficar cheia de chuvisco...
O prefeito insistiu:
- Óia, dotô, num é mais milhó a gente tê uma imáge chuviscada, do qui nada?
O alcáide tanto pediu, tanto apelou, que o Tadeu, coração imenso, topou a parada, tendo antes solicitado ao mandatário que firmasse um documento se responsabilizando por qualquer contratempo ocorresse. O cara garatujou uns hieroglifos num papel e Tadeu meteu mãos à obra.
Uma semana depois caiu o maior toró na cidade e a repetidora apresentou o maior "galho". Apavorado, o prefeito ligou pro Tadeu:
- Dotô, pelamordedeus! A ripitidora tá toda invocada!
- Como, invocada? - perguntou o técnico.
- Discontrolô! Indoidodô! Quando ela imagêia, num prosêia... E quando prosêia, num imagêia!
Mais patá, pra quê?
O jornalista Jurandyr Tobias também era servidor dos Correios. Chefiava o setor de expedição de telegramas e correspondências especiais. Bendito dia, encontrava-se cumprindo o seu expediente tranquilo, quando chegou lá um sujeito com a cara de maluco.
- Quero passar um telegrama, urgente! - disse ele, debruçando-se sobre o balcão de atendimento.
Tobias estendeu-lhe o formulário respectivo, e orientou:
- Pode preenche-lo nos locais indicados.
O cara sapecou a caneta pra frente - risk, risk, zic, zic - Prencheu o papel e o devolveu pro velho Tuba. Estava lá escrito:
"Patá, patá, patá, patá, patá, patá!"
Apesar daquela sua cara de frade franciscano, Jurandyr Tobias sempre apreciou uma gozação. Naquilo que ele pegou no papel, segurou o riso. Contou as palavras escritas no aludido e falou pro sujeito com cara bem séria:
- O senhor tem direito a mais uma palavra pelo mesmo preço.
- Precisa não. Bastam essas.
- Por que o senhor não acrescenta mais um "patá"?
- Tá maluco? Aí, ninguém ia entender nada!
Quem não tem champanhe...
Madrugada de Ano Novo. O Bar e Restaurante do Duda, filial da Mangabeiras, estava entupido de gente. Todo mundo comemorando a chegada de 2007. Maior curtição. Aí, pinta no pedaço o popularíssimo pinguço intitulado Zé Orestes, que se dirige ao gerente Júnior:
- Tem cachaça aí, chefia?
- Tem.
- Então me vê aí uma "meiota".
- No copo ou na garrafa?
- No copo!
Júnior atendeu ao freguês, que aduziu:
- Agora me vê também um sal de fruta...
- Tem não. Só tem Sonrisal.
- Serve. Bota dois aí dentro da cachaça!
O freguês não mandou? Júnior não se fez de rogado. Jogou o Sonrisal na bebida do malandro e ficou espiando a espuma velha subir.
- Tem açucar? - era o cara de novo.
- Tem.
- Então sapeca na bebida!
Nesse ponto, o Júnior já invocado com o inusitado freguês, não se conteve:
- Ô cara, que diabo você quer fazer com essa misturada?
- Champanhe!
- Champanhe???!!!
- Claro! Como eu não tenho grana pra comprar uma garrafa do verdadeiro, eu invento o meu. Experimenta pra ver se não é quase igual
16/05/2013 23:36
Sujeito bom, trabalhador, o Astrogélio Pereira esteve completando no último mês de dezembro, 30 anos de casamento com dona Amaralina com a qual, infelizmente, jamais teve um único filho. Essa, é a sua grande frustração. Talvez por esse motivo, ou porque a esposa seja devagar quase parando, o seu casamento possa ser descrito como mais gelado do que pé de defunto. Apesar disso, os dois tocam a vida naquela conformação.
Dia desses, depois de um expediente puxado na repartição pública onde trabalha, Astrogélio foi jantar na residência do seu chefe Oderbaldo, por insistência deste. Chegando lá, ficou abismado como esse seu superior hierárquico tratava bem a sua consorte: era amorzinho pra lá, meu bem pra cá, mil beijos e abraços... maior bajulação.
Depois de presenciar tanta demonstração de amor e carinho, Astrogélio não se cansou de elogiar:
- Que coisa mais linda esse seu relacionamento com sua esposa, Oderbaldo! Vocês devem ser infinitamente felizes, tô certo?
- Certíssimo, meu chapa. Mulher igual a minha não existe, pode crer!
- Tá se vendo. Mas de onde vem tanto amor?
- Da convivência, ora! Cada dia que se passa eu adoro ainda mais a Tercila. Então, nesses últimos meses é que o negócio dobrou de encanto. Você tem que olhar o lado bom das coisas, meu amigo...
- É... tá certo. E minha mulher também é uma boa gente, mas um tanto ou quanto apagada...
- E então? Valorize o seu relacionamento com ela. Aproveite, cara!
Impressionado com o que vira no lar do seu chefe, Astrogélio voltou pra casa disposto a dar uma "esquentada" no seu casamento. Mal assentou o solado dos pés dentro de casa, correu para a mulher de braços abertos:
- Ooohhh, meu amor... quanta saudade!
Dona Amaralina arregalou os olhos, espantada. Enquanto isso, o marido a abraçava e repetia o quanto a amava.
De repente, a madame começou a chorar.
- O que há de errado, meu amor? - indagou o marido, já preocupado.
E ela, soluçando:
- O dia foi horroroso! De manhã, minha mãe caiu no quintal e quebrou a perna. Depois, a lavadoura de roupa quebrou, o cano da pia entupiu e a água ficou vazando a tarde inteira...
- Que pena, meu amor. Mas os problemas acabaram! Pode deixar que eu conserto tudo!
- Pra completar, chega você em casa bêbado desse jeito!
Bom marido
O servidor público Josafá Morais tem aproveitado bem os finais de semana. Quando encerra o expediente, na sexta-feira, ele sai com um monte de colegas para biritar na orla marítima. Só vai pra casa quando o galo está anunciando a manhãzinha do sábado.
Numa dessas farras, ele se achava no Bar do Duda, na praia de Mangabeiras, ocasião em que confidenciava pro seu amigo Zé Tobias:
- Sabe, Tuba, andei pensando direitinho e cheguei à conclusão de que devo dar mais um pouco de liberdade à minha mulher...
- E como é que vai ser esse barato?
- Vou ampliar a cozinha lá de casa!
Uma boa solução
Os amigos Elibaldo e Coriolano batiam um descontraído papo, num barzinho da orla pajuçarense.
Dizia o primeiro:
- Cara, eu detesto ir à festas de casamento, pode crer!
- Mas por que, rapaz?
- É que sempre tenho de levar as duas tias que moram comigo e elas ficam o tempo todo falando: "O próximo vai ser você!" Que saco!
- Realmente é chato. Mas eu conheco um jeito de você fazer elas pararem...
- É mesmo? Como?
- Comece a fazer a mesma coisa com elas nos funerais.
O complicado
Está para nascer a criatura que deverá entender o Coriolano Caruso. O cara é complicado desde nascença. De tudo ele faz um drama. Por exemplo, lá no Tabuleiro do Martins, onde mora, existe uma morena sensacional intitulada Gorete, por quem ele gamou. Tanto azucrinou o juízo da garota, que ela terminou lhe dando uma colher-de-chá, para ver se teria, ao menos um minuto de descanso:
- Tá bom, Caruso... eu vou pra cama com você. Mas, na minha ou na sua casa?
E ele:
- Ih, já começou a discutir! Quero mais saber de você, não!
Achou!
Bebíssimo, mal se pondo em pé, o Valclerinaldo parou na entrada de certa boate, acompanhado de um colega mais biritado ainda. Aproximou-se do porteiro e perguntou:
- Ô meu chapa, será que você poderia me dar uma informação?
Cheio de má vontade, o porteiro respondeu:
- Fala logo o que tu quer!
- Seguinte... eu fiz uma aposta com o meu amigo aqui do lado, e queria confirmar com você. Fala pra ele: é verdade ou não é verdade que a privada daqui é de ouro?
O porteiro se virou e gritou para alguém que se achava lá dentro:
- Ô Biuzão! Tá aqui o sujeito que cagou no seu trombone!
Uma atrapalhada ação
Chefe de um grupo de escoteiros, o tenente-coronel PM Fidélis todas as semanas reune a garotada para uma checagem nas ações praticadas pela turma. Numa dessas ocasiões, ele se dirigiu a um dos líderes de subgrupo dos mirins e perguntou:
- Paulinho, vamos ver que boa ação a sua turma praticou esta semana...
- Ajudamos uma velhinha atravessar a rua, chefe!
- Muito bem. Foi realmente uma bela ação. Mas cinco meninos só para levar uma anciã?!
- É que a droga da velhota não queria atravessar e resistiu durante mais de meia hora!
Na média
Algum tempo atrás o inteligente Jotajó (revelou-se agora que ele é chegado a uma macumbazinha) e o seu dileto primo Bejota sairam de Maceió para resolver "uns negócios" em Garanhus. Quando o ônibus em que viajavam estava se aproximando daquela cidade pernambucana, o motorista avisou, através do serviço de som do coletivo:
- Atenção, senhores passageiros! Estamos entrando na cidade de Garanhus. O tempo está nublado e a temperatura é de zero grau!
- Ôpa! Zero grau! - vibrou o primo Bejota.
E o grande Jotajó:
- É que nem a gente gosta. Bem na média: nem frio e nem calor!
16/05/2013 00:55
Sacana ao extremo, o taxista Asnóbrio Caetano adorava viver pentelhando colegas, principalmente aqueles que, como ele, faziam ponto na Avenida da Paz. A última presepada que armou para um deles, o José Dirceu, quase arruinou a vida do infeliz. O que foi que ele armou? Seguinte: de posse de um baton, deixado por uma apressada passageira em seu taxi, Asnóbrio sujou a camisa do Dirceu na altura da gola, sem que ele percebesse.
Quando o Dirceu chegou em casa, feliz da vida, dona Oscarlina, mulher dele, manjou logo na marca carmim denunciativa. Aí, subiu nas tamancas:
- Andou se agarrando com as putas, não foi seu safado?
E o Dirceu, surprêso:
- Eeeeuuu? Que papo esse, mulher? Ficou maluca?
- Cínico! Quem deve estar maluca é a veínha sua mãe! Olhe só pra essa , camisa suja de baton, seu descarado! Nosso casamento acaba aqui! Faça o favor de arrumar suas coisas e desocupar minha casa!
José Dirceu deixou o lar triste, e ao mesmo tempo revoltado. Desconfiando haver sido vítima de uma armação das mais sórdidas, dedicou-se à tarefa de descobrir o autor da sacanagem. Não demorou muito, descobriu que fora o Asnóbrio o responsável pela brincadeira de péssimo gosto. E bolou o revide, que foi executado com mais crueldade. Com a cumpliciade de dois dos seus melhores amigos, Dirceu arrumou uma calcinha e um sutiã bastante usados, e jogou dentro do carro do desafeto, na maior moita.
No domigo, dia de folga, o Asnóbrio saiu de casa de manhã logo cedo, aí pelas 7 horas, avisando à esposa, dona Odete, que iria tomar um banho de mar e beber umas cervejas com alguns amigos, na Jatiúca. Só retornou às 2 da madrugada da segunda-feira, biritado. As peças femininas continuavam no carro.
Nessa mesma segunda-feira, cerca das 8 horas, ele foi acordado aos gritos, por madame Odete que, com cara de nojo, segurava nas pontas dos dedos os tais calcinha e sutiã.
- Cachorro, safado, cretino, cafageste!...
E ele, tirando a remela dos olhos:
- Uhunnn? Hein, hein? Quê que foi, meu amor?
- Repare pr'aqui! Tá reparando?
- Ah, sim... Comprou, foi?
- Comprei coisa nenhuma, seu sem-vergonha! Isso aqui é o resultado da sua degeneração. O bacanal de ontem foi mesmo da pesada, hein? A rapariga que estava com você nem sequer se deu ao trabalho de levar as porcarias dela. Não duvido que tenha rolado droga, também!
- Meu Deus, que calúnia! Tá me desconhecendo, mulher?
- Aah, dando uma de santo, né? Minha maior revolta é saber que essas nojeiras foram encontradas, no banco traseiro do carro, pelas crianças, quando fui levá-las à escola...
- Armação! Estou sendo vítima de uma armação insidiosa!
Asnóbrio foi expulso de casa, sem chance de defesa. Hoje responde na justiça a processos por "atentado ao pudor", "descompromisso com a fidelidade conjugal" e "desrespeito a menores". Além do mais, arcou com as responsabilidades de um divorcio esperto.
Cachorrinho danado!
De manhã cedo bateram na porta de dona Maria Candelária. Era a vizinha Amparo:
- Dona Candelária, a senhora me desculpe, mas o seu cachorro é muito mal-educado. Sujou minha calçada todinha de cocô!
- O Dorly? Acredito não, dona Amparo. - reagiu Candelária, de olhos arregalados. - Isso é uma calúnia! Não levante falso pro meu Dorlyzinho, faça-me o favor!
- Pois foi ele! Eu vi com estes olhos que a terra haverá de comer!
- Não acredito, não acredito e pronto!
- Quer dizer que a senhora apoia o que esse seu cachorro maleducado e maloqueiro fez na minha calçada, não é?
- Não apoio e nem desapoio. Só sei que o meu cão é bastante educado e muito respeitador. E me dê licença, por que eu tenho muito o que fazer!
Antes de bater a porta na cara da vizinha, dona Candelária escutou a seguinte ameaça proferida por Amparo:
- Pois tá certo. Espere aí, que eu vou dar o troco!
- Vai? Rá, rá,rá...
Amparo foi lá na calçada, apanhou o cocô do Dorly com um papel, voltou a porta de Candelária e mostrou a porcaria:
- Olhe aqui, tá vendo?
- Tô, e daí?
- E daí que a senhora vai comer esta merda todinha, agora mesmo!
Não houve tempo para Candelária se defender, dada a rapidez da vizinha. Teve de engolir uma boa porção de cocô, que lhe foi enfiada pelo burado da boca, pela malcriada Amparo.
Um detalhe importante
Mal entrou em casa, o Botelho foi logo abrindo a boca e reclamando:
- Mas que esculhambação nesta casa! Esta é a terceira vez que eu chego aqui e o jantar não está na mesa! A terceira vez! Assim não é possível!
A mulher dele reagiu à altura:
- Não tem jantar mesmo! Nós temos quatro filhos. Eu tenho de dar banho vestir, dar de comer pra todos, lavar a casa, a roupa, a louça, fazer compras, etc. Com esse monte de tarefas eu não tenho tempo nem de limpar a bunda!
E o Botelho:
- Ah, isso é outra coisa que eu quero conversar com você!
Caminhar mais?!
Ao final da consulta, doutor Abrôncio recomendava ao paciente:
- Olha, seu Balmázio, o senhor deveria fazer mais exercícios. Faça uma caminhada, pelo menos uma vez ao dia.
- Mais ainda, doutor? Eu sou carteiro! Vivo cansado de tanto camihar!
15/05/2013 00:43
José Juvelino - Zezinho de Juvêncio, conforme é sobejamente conhecido -, é um matutão do interiorzão das Alagoas. Trabalhador, mais ou menos analfabeto, ele conseguiu contrair núpcias com a morena bonitona e gostosona intitulada Durvaliana. Para todos os efeitos, e até prova em contrário, a madame em referência é considerada eloquente exemplo de mulher honesta, decente. E como o o Zezinho de Juvêncio se orgulha dela!
Durvaliana adora estimular a tara dos machos de Delmiro Gouveia. Todas as tardes ela, vai à padaria do português Manuel Joaquim rebolando o bundão e trotando, conforme fazem essas modelos esqueléticas na passarela. Mas tem uma coisa com ela: não olha pros lados, só pra frente.
Religiosa, Durvaliana só comparece à missa de braço dado com o marido Zezinho, que se acha o homem mais sortudo do mundo.
Apesar da colher-de-chá que costuma dar pra galera masculina, caboco nenhum jamais ousou dizer tenha curtido uma horizontal com Durvaliana.
Belo dia, Zezinho de Juvêncio, o felizardo marido, teve de fazer uma viagem à São Paulo e deixou a gostosura sozinha em casa. É quando resolveu visitá-la o compadre Timóteo, baixinho adiposo, portador de bigode e costeleta volumosos:
- Bom dia, comadre! - disse o cara da soleira da porta. - Vim ver se a senhora está precisando de alguma coisa, já que o compadre viajou, né?
- É verdade, compadre. Chegue mais pra dentro, venha!,
Compadre entrou, os dois ficaram cara a cara, um olhando pro outro meio sem jeito, já que não estavam acostumados a ficarem a sós. Sem outro assunto para aquele momento, compadre Timóteo saiu com esta conversa furada:
- Será que vai chover, comadre?
- Pois é... - disse ela, toda cheia de acanhamento.
Fez-se um grande silêncio na sala. Até que o compadre se encheu de coragem e resolveu quebrar aquele gelo:
- Comadre, o que você acha? A gente transa ou toma chá?
Timidamente, ela respondeu:
- Ah, compadre... você me pegou sem pó!
Marido Fujão
Amigonas, duas madames se encontram na fila da padaria:
- Teobalda, que bom te ver, mulher! Como tu estás? Eu soube que o teu marido fugiu com a tua empregada, é verdade?
- É, sim. Foi na semana passada.
- Mas que horror! Logo com a empregada! Como está se sentindo?
- Ah, eu estou me virando. Na verdade, não me encomodei nem um pouco. Eu já estava querendo mandá-lo embora mesmo.
Comparando bem...
Malandrinho, o garoto Asnobrinho foi tomar satisfações com o dono da quitanda para a qual trabalhava, ao ser cientificado que estava demitido:
- Puxa, seu Aristarco, só porque peguei duas maçãs, o senhor me mandou embora!
O quitandeiro respondeu:
- Ué! E Adão e Eva que perderam aquela moleza toda no Paraíso por causa de apenas UMA maçã?
Pra quê o pai?
Vez ou outra, o pentelho Cacá deixa seus pais Carlão e Margô embasbacados. Dia desses, pegou a mãe desprevenida:
- Manhê, foi a cegonha que me trouxe aqui pra casa?
- Foi, meu filho. - respondeu a mãe.
- E é Jesus que dá pra gente o pão de cada dia?
- Sim, meu amor.
- Mais uma coisa. É o Papai Noel que dá os brinquedos no Natal?
- É isso mesmo!
- Então, pra que serve o papai?
Explicação infantil
Hildinha, garotinha esperta, perguntava à amiguinha Neidinha:
- Por que os bebês sempre nascem à noite, você sabe?
E a amiguinha:
- É porque toda noite as mães estão em casa!
Enxergando Melhor
O Alcebíades andava aperreado com a visão. Aí, procurou o oftalmologista Léo Montenegro:
- Qual é o seu problema, meu amigo? - perguntou o doutor
- Meu problema é o seguinte... eu ando vendo um monte de manchas borradas na minha frente...
- Calma! Vamos experimentar aqui uns graus, certo?
Dito isto, doutor Léo sentou o cara naquela poltrona toda cheia de luzinhas coloridas. Em seguida, ajustou nas vistas dele aquele instrumento que possui graus rotativos.
- Que tal?
E o Alcebíades, entusiasmadíssimo:
- Aaahhh, doutor! Melhorou bastante! Agora as manchas estão muito mais nítidas!
Tribuna Hoje pertence à Jorgraf - Cooperativa dos Jornalistas e Gráficos do Estado de Alagoas