Blog/Cadu Amaral
17/05/2012 09:55
Em tempos que o Brasil começa, mesmo que em algumas análises de forma tímida, a tirar das gavetas informações sobre seu passado nefasto do período da ditadura com a implantação da Comissão da Verdade (leia mais aqui e assista vídeo aqui); em tempos onde não mais cabem relações de coronelismo de nenhum tipo, moderno, arcaico ou caricato, eis que surge o João “brabeza” da região Sul de Alagoas: João Beltrão.
“Remédio pra bandido é na espingarda!”
Essa fala de um dos últimos fosfatos de coronel em terras Caetés se deu na Assembleia Legislativa de Alagoas. O “dedo nervoso” é deputado estadual e metido a dono da região sul alagoana. Seu mandato foi iniciado a volta de muitas pendengas jurídicas (leia mais aqui).
Mas assassinato não é crime?
E apologia ao crime também não é crime?
Ah, mas deputado tem imunidade... É verdade podem falar a asneira que quiserem.
Teve um que até disse que compra voto e cadeia nacional (assista aqui).
Na verdade o prédio da Praça Dom Pedro II é um verdadeiro vandevu. De eleições toscas para o Tribunal de Contas à mesa diretora.
Mas a culpa não é dos deputados, não. Em parte é do eleitor e em parte – maior parte, na verdade – é do modus operanti da política brasileira.
Não podemos ir pelo discurso fácil de negar a política ou afirma que são todos iguais ou que ninguém presta e blá blá blá...
Este argumento é de uma incapacidade de raciocínio digna dos bonobos (veja aqui).
Mas ninguém quer discutir a Reforma Política... A imprensa não pauta porque reproduz a tese da negação da política.
Aliás, falar ou fazer besteira não privilégio dos alagoanos, não. Após um acidente ocorrido no metrô em São Paulo, a ex-apresentadora da MTV e atual bajuladora do DEMotucanato via PPS, ironizou o acidente (leia aqui).
Essas mazelas são parte do ônus da democracia. Sim, a “dedê” também tem ônus.
Pessoas falam o que querem e não necessariamente tem alguma coisa que preste nisso. Independente de posicionamento sobre qualquer coisa.
Principalmente numa democracia tão nova quanto a nossa. Este é o maior período democrático de nossa História, apenas 27 anos.
Mas antes tarde do que nunca, o Brasil elegeu um operário e uma mulher para Presidência da República; começamos a abrir os arquivos da ditadura militar e cada vez mais as pessoas estão participando da vida política em várias esferas e coisas como ditas como disse o “Jão” sobre o uso da espingarda ou balelas da Soninha já não são aceitas como antes.
15/05/2012 10:00
A CPMI da Veja / Globo / Cachoeira mal começou e a guerra de bastidores está a mil por hora. Não só de bastidores, é bem verdade. A última capa da Veja – mais uma ridícula, entre tantas ridículas – mostra bem o ponto que esta peleja pode chegar e o desespero do Roberto Civita.
O ponto que pode chegar é, aliado com todo o seu compadrio – Folha e Estadão – o aumento de notícias falsas, inverídicas. Ao ponto de acusar “Twittaço” (divulgação / campanha no Twitter usando hastag’s) #VejacomMEDO e outros de serem feitos por robôs.
Nem, George Lucas, o cineasta de Guerra nas Estrelas tem tanta imaginação...
Na capa também se coloca parte do Artigo 220 da Constituição Federal que versa sobre a liberdade de expressão. Mas só colocou o começo do Artigo que é geral. (clique aqui)
E a parte que fala da proibição dos monopólios e oligopólios, cadê?
E os outros artigos do capitulo da comunicação social ou o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros? (clique aqui)
No Código, por exemplo, diz que não se pode usar meio ilícito para conseguir notícia.
Sabem por que estes a Veja não mostra?
Porque ou não cumpre ou não quer que sejam, no caso dos Artigos e incisos da Constituição, regulamentados.
A grande imprensa brasileira invoca para si uma divindade. Coloca-se acima de tudo e todos. Acima das leis. Mas se comporta como um folião no carnaval. Daqueles bem estragados...
Mas pelo menos, como diz o Paulo Henrique Amorim em seu blog, a CPMI já provou que a grande imprensa tem ligação com o crime organizado que se reproduz no Congresso e com inúmeras empreitaras Brasil à fora. (clique aqui)
Que esta odisseia para descortinar as podres relações da grande imprensa brasileira termine com êxito. Não podemos construir um país realmente livre com uma imprensa vil e suja.

Imagem retirada do Blog da Cidadania
14/05/2012 10:13
O poeta alemão Bertold Brecht, em seu texto “As dificuldades para dizer a verdade” enumera uma série dessas dificuldades, até concluir pela última e mais importante: fazer chegar a verdade para quem mais precisa da verdade.
Por Emir Sader*
Como disse a Presidenta Dilma no seu histórico depoimento no Senado, na ditadura não há verdade, só mentira. A verdade só pode existir na democracia, porque é objeto da livre vontade das pessoas de dizer as coisas como realmente são.
O Brasil tinha uma dívida com sua democracia: dizer a verdade do que aconteceu quando a democracia foi violentada, saqueada, sangrada, por militares golpistas e por todos os que os apoiaram e se beneficiaram da aventura ditatorial. A transição democrática necessita, para se completar, da versão oficial do que realmente aconteceu quando foi instaurado o pior momento da história republicana do Brasil.
A aprovação da Comissão da Verdade - e agora a nomeação dos membros que a compõem, - coloca a democracia brasileira em condições de conhecer a verdade do que foi feito, em nome do Estado brasileiro, durante a ditadura. Como, alguns valendo-se da força selvagem, em nome dos supostos interesses da “segurança nacional”, usurparam o Estado e todo seu poder – de armas a impostos, de capacidade de espionagem à de assassinato e desaparição dos corpos das vítimas, de cerceamento da verdade e imposição da mentira – liquidaram a democracia a duras penas construída pela cidadania e impuseram o reino do terror durante mais de duas décadas no Brasil.
Precisam da verdade, antes de tudo, as vítimas e seus familiares, que têm o direito de saber o que foi feito, quais os responsáveis por tudo o que foi feito em nome do Estado brasileiro contra os que resistiam à ditadura militar. Precisam saber o destino dos seus seres queridos, encontrar seus corpos e dar-lhes a respeitosa sepultura, honrando-os para sempre como mártires da luta pela democracia no Brasil.
Precisam da verdade os meios de comunicação que não se vergaram à convocação ao golpe militar, ao apoio ao terrorismo de Estado – a sua quase totalidade naquele época -, para cumprirem com seu dever democrático de dar a informação veraz dos fatos e resgatar a liberdade democrática a toda a informação, conspurcada por órgãos de imprensa que se dobraram diante do regime de terror, prosperaram com ele e se fizeram seus porta-vozes.
Precisa da verdade, sobretudo, a democracia, que só pode existir quando passa a limpo o que foi feito dela, em nome supostamente da sua defesa. Precisa da verdade, porque a democracia só existe com a verdade e a transparência.
Os membros da Comissão da Verdade nomeados pela Presidenta Dilma tem todas as qualificações e as condições de resgatar a verdade para a democracia brasileira e podemos estar certo que farão isso. O Brasil sairá melhor do seu trabalho, que merece todo o apoio, porque a democracia não tem medo da verdade e só existe plenamente na verdade.
*Retirado do blog do Emir Sader – clique aqui
12/05/2012 12:14
Zapeando pela internet, me deparei com uma postagem no blog do Paulo Henrique Amorim, o Conversa Afiada (clique aqui). Nela continha um editorial de O Globo escrito em 1984 por Roberto Marinho, o todo poderoso das comunicações do Brasil.
A defesa do golpe militar de 64 é tema do editorial. Não podia ser diferente, afinal as organizações Globo só são que são por causa da ditadura.
Em tempos de descortinamento dos fatos deste triste período de nossa História e de nomeação da Comissão da verdade, penso ser bastante oportuno publicar, aqui no blog, o editorial golpista.
Como afirmei na postagem anterior (clique aqui): Uma vez PIG, sempre PIG.
Abaixo a imagem do editorial golpista de Roberto Marinho escrito em 1984.

Clique na foto para ampliar (caso não consiga, clique aqui)
11/05/2012 09:57
A Presidenta Dilma Rousseff anunciou ontem, com publicação no Diário Oficial da União de hoje, os nomes dos membros da Comissão da Verdade. Comissão com a finalidade de revelar os bastidores dos períodos ditatoriais de 1946 até 1986, em especial, do Golpe de 64. De prisões ilegais a torturas cometidas pelo Estado brasileiro, revelando inclusive, nomes. A Comissão não tem caráter punitivo.
Já a algum tempo que se anseia pela criação desta comissão. Nosso país já não pode mais ficar com a pendenga do desconhecimento dos bastidores ditadura militar. Quem e quantos foram mortos pelo regime; onde estão os seus corpos e os nomes de seus torturadores.
Como já afirmei em outra postagem, não se trata de revanchismo. Falar em revanchismo na impunidade é fácil, como ficam a todo o tempo os pelancos da ditadura que ainda insistem em querer falsear os fatos deste período nefasto de nossa História.
Recentemente, o ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social da ditadura militar) em São Paulo, Claudio Guerra, lançou um livro chamado: “Memórias de uma Guerra Suja” (clique aqui). Guerra nunca esteve nas listas conhecidas de torturadores.
A Comissão terá muito trabalho.
A “Ditabranda” da Folha de São Paulo ficará desnuda.
A composição da Comissão não é unanimidade. Para muita gente faltou a representação e alguns setores da sociedade. Mas nem de longe seu anúncio é considerado uma derrota.
Dentre as pessoas que compõem a Comissão da Verdade está a advogada de Dilma durante a ditadura militar. Trata-se de Rosa Maria Cardoso da Cunha.
Isso é de uma simbologia sem tamanho.
Sua composição é:José Carlos Dias (ex-ministro da Justiça), Gilson Dipp (ministro do Superior Tribunal de Justiça), Rosa Maria Cardoso da Cunha (advogada), Cláudio Fonteles (ex-procurador-geral da República), Paulo Sérgio Pinheiro (diplomata), Maria Rita Kehl (psicanalista) e José Cavalcante Filho (jurista).
Mas a Comissão, independente da composição que tenha ou viesse a ter, sem pressão da sociedade, daqueles que querem curar de uma vez as feridas causadas pelos militares, não cumprirá seu papel de revelar ao país o que precisamos e ansiamos saber.
Várias comissões auxiliares nos Estados foram criadas. Aqui em Alagoas a proposta foi do deputado Judson Cabral (clique aqui)
Como afirmou Dilma no anúncio dos nomes da Comissão: “Não podemos deixar que, no Brasil, a verdade se corrompa com o silêncio”.
A Globo “passa recibo”
No programa Bom Dia Brasil, o âncora, Alexandre “Gagárcia”, ao falar da Comissão, quase que textualmente afirmou que esta não deveria fazer nada. Deixar como tudo como está. Passar uma borracha. Botou umas falas estranhas na boca do velho Brizola que não está mais aqui para se defender.
Mas não resistiu a sanha direitosa e golpista que nortearam o Golpe de 64 e norteia a grande imprensa brasileira. Chamou os militantes de esquerda, presos ou não de terroristas.
Uma vez PIG, sempre PIG.
Acesse o site do Projeto Memórias Reveladas – clique aqui ou aqui
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