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Daniel Nunes
28/12/2012 11:18
Quando era menino em Arapiraca meu pai falava da seca de 1970, na época tinha apenas 4 anos, e do costume arapiraquense de colocar um saco de farinha na porta com uma cuia de zinco e assim atender aos necessitados da terra que, minha mãe chamava de "flagelados da seca" e o povo da rua de "mago e nú". Arapiraca nem ficava no sertão alagoano, mas sentia o peso da cruel seca.
Em outra seca, 1982 acho, o mercado de farinha de Arapiraca foi saqueado pelos pobres, com o claro objetivo de saciar a fome e fazer aquele mingau de farinha - tão famoso entre os famintos nordestinos da época". Depois vieram as frentes de trabalho, onde estes infelizes capinavam pedra.
Estamos sem dúvida na maior seca dos últimos quarenta anos, e dela sabemos pelos serviços de meteorologia e pelas lamentações dos pecuaristas, mas não temos notícia de saques e levantes populares. Isto é estranho. Muito estranho. Acho até engraçado que este pensamento seja tão escasso nas páginas dos jornais.
Então, qual é a diferença política ou econômica entre a seca de setenta e a atual? Observando tudo acredito que a explicação é simples: Bolsa Família e o novo papel do Exercito Brasileiro na coordenação dos carros pipas. É claro que o Brasil evoluiu bastante, mas as raízes da mitigação da fome endêmica são os dois fatores acima indicados.
Aos pregoeiros da desigualdade nacional e dos privilégios de castas oligarcas e seu silêncio obsequioso, ansioso da volta do desamparo social e das muitas oportunidades que a servidão indiferente propicia, pergunto: “e eles se julgam cristãos”. É tempo de natal, pense nisto.
10/12/2012 10:44
A empresa alienígena Wal-Mart (Bompreço), com sede nos Estados Unidos da América, resolveu inovar e instituiu que quem estacionar no grande parque de estacionamento de sua loja na Buarque de Macedo terá que pagar (caro). O impacto de tal medida foi massivo na oferta de vagas naquela parte do centro de Maceió: estas sumiram rapidamente.
Hoje, com alguma surpresa, fui privado de meu habitual estacionamento na Rua Roberto Ferreira e o culpado desta façanha foi a empresa sem nenhuma responsabilidade social, digo o Bompreço.
Várias empresas americanas e europeias se salvaram de parte da última crise do subprime se fartando no sobre lucro gerado no Brasil, nesta relação vampiresca nós pagamos para que estas empresas sobrevivam. Os dirigentes destas empresas ao contrário de expressar gratidão, esmeram-se em inventar novas formas e chicanas para nos espoliar e tentar salvar seu declínio. O Banco Santander, outra empresa alienígena, com sede na Espanha, valeu-se do sobre lucro brasileiro para fugir da bancarrota e a paga é um número recorde de demissões, esta semana foram 11 em Maceió.
O estacionamento no centro de Maceió já era um caos, como se fosse possível, esta situação piorou – muito! Algumas perguntas deveriam ser feitas: qual é a responsabilidade social das empresas com os brasileiros? Alguém está atento ao que está acontecendo?
21/06/2012 11:23
Os grupos e quadrilhas organizadas estão cada vez mais estruturados, trata-se de bandos numerosos, bem armados e com logística aprimorada. Alagoas tem um território pequeno e de fácil acesso por terra, mar e rios. São os dois mais marcantes fatos que fazem multiplicar a quantidade de assaltos, isto, logicamente aliado com a multiplicação da bancarização em curso no Brasil, centenas de promotoras de vendas de serviços financeiros e o Banco Postal.
A expansão do crédito é responsável pela nova geografia do ramo financeiro do Estado de Alagoas, onde, em praticamente todas as cidades e até em grandes povoados existem instituições financeiras, a maioria sem muita segurança. Este quadro encontra uma polícia ainda em fase de adaptação, sem o necessário planejamento para enfrentar a nova situação.
Existe um mau corporativismo policial assim como existe um mau corporativismo em todas as profissões. No meio policial este corporativismo se expressa negando colaboração entre as polícias, na inação por negação de responsabilidade (“este não é um problema meu”), entre outras manifestações.
A primeira medida é a existência de um banco de dados on line e moderno para balizar qualquer decisão. O banco de dados rompe com o corporativismo.
Para dar um basta da ação desmedida das quadrilhas e bandos armados é necessário constituir um grupo especial, bem informado e ágil, capaz de responder rapidamente e em qualquer parte do território á ações hostis. Ora, tudo isto existem em potência, basta ser efetivo. Regionalização de estruturas especializadas, inclusive aérea, é outra solução.
24/05/2012 10:39
Direitos Humanos
O Brasil, por certo, nunca vivenciou um período de democracia como este que vivemos pós 1983/4/88 (dependendo da corrente de pensamento histórico/ideológico/político). Nunca, nunca mesmo. A sobra da Guerra Fria e um Estado Oligárquico, sempre, desde os primórdios, nos afastou do sol da democracia.
A Nossa democracia, ainda é em muitos aspectos da vida cotidiana, uma democracia formal: apenas no papel. São muitos os obstáculos para real efetivação da democracia. É que democracia rima melhor com civilização avançada, pungente e prospera. Nossa sociedade é prospera ninguém pode negar, o problema é a distribuição da riqueza.
Até o advento da Era Lula os pobres viviam a sobreviver na fome e na piedade. Com o bolsa família/crescimento econômico/menor vulnerabilidade externa e etc. tudo está mudando, os pobres não estão aceitando trabalhar quase de graça como antes. Surge uma nova classe média, a classe C.
A tragédia é que esta mesma classe, resgatada pelo acesso aos bens da vida, é bastante conservadora, dizem as pesquisas.
Todos se dizem cristãos e ninguém percebe que os direitos humanos nasceram do sermão da montanha.
No Brasil se reclama dos “direitos humanos”, entretanto, a reclamação é apenas quanto aos diretos humanos dos outros, quando alguém da elite, da classe C, B, A e até da D se encontra em situação de violação dos seus direitos humanos, todos dizem: onde estão os meus direitos humanos. Pense nisso: nossa democracia agradece, por que só existe democracia com direitos humanos dos outros (seu, meu e do seu filho) e não apenas da elite e dos privilegiados.
09/05/2012 13:42
Segurança Pública de alto nível precisa ser interiorizada
Ao longo das últimas décadas acompanhamos a escalada de crimes de bando e quadrilha em Alagoas, com exceção do período do desmantelamento da gangue fardada os índices seguem variando em crescimento, ano a ano.
Hoje proliferam assaltos a bancos, lotéricas, correios e financeiras, bem com o todo tipo de estabelecimento comercial, de serviços e industrial. A ação dos bandos e quadrilhas se sofistica com o avanço tecnológico, enquanto o aparato de segurança ainda mostra sinais evidentes de atraso organizacional, legal, logístico e tecnológico.
A modernização que acontece a partir do Conjunto Selma Bandeira, com a implantação da Polícia Comunitária é um dos maiores e bem sucedidos esforços da área de segurança. A inteligência, entretanto, ainda permanece, na prática, uma área ainda “em implantação. Isto do ponto de vista do georeferenciamento, do vídeomonitoramento, do tratamento estatístico dos crimes. A velha inteligência da PM2, da Polícia Civil, da investigação policial, com seus méritos, permanecesse. A integração da inteligência é outro desafio.
Neste post o ponto focal se vincula à necessidade de enxergamos que o Município de Arapiraca e sua Região Metropolitana, não é de hoje, merecem a implantação de um aparato especializado dos principais instrumentos de inteligência e pronto ação existente na segurança pública, bem como filiais do instituto de criminalística, etc ( não me refiro ao IML, já existente). Ademais, se poderia cogitar até mesmo a implantação de uma base de operações permanente na região.
As justificativas são abundantes, porém, além da clara ação dos grupos armados criminosos na região, temos que reconhecer que o Estado de Alagoas tem uma pequena área territorial, praticamente em 3,5 horas é possível se deslocar para praticamente qualquer ponto do território de carro. Uma base em Arapiraca reduziria este tempo para 1,5 horas. Um grupamento aéreo reduziria para 20 minutos, ou menos, o tempo de resposta.
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