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Berlusconi pagou à máfia por proteção, diz corte italiana

Ex-primeiro-ministro teria repassado altas quantias de dinheiro à mafia siciliana na década de 70

Folha Online 24 Abril de 2012 - 19:43

Foto: Tony Gentile - 08.nov.2011/Reuters

Berlusconi deu dinheiro à máfia para evitar sequestros

Berlusconi deu dinheiro à máfia para evitar sequestros

O ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi pagou grandes somas de dinheiro à máfia siciliana em troca de proteção para que ele e sua família não fossem sequestrados em meados dos anos 1970, disse na terça-feira a mais alta corte de apelação da Itália.

A proteção da Cosa Nostra "não foi de graça", afirmou a corte, acrescentando que o magnata da mídia foi vítima de extorsão. 

"Berlusconi entregou notáveis somas de dinheiro à máfia", disse a Corte de Cassação em um documento de 146 páginas na qual explica a decisão tomada no mês passado de anular um julgamento contra o siciliano Marcello Dell'Utri, que trabalhava para Berlusconi naquela época.

Nos anos 1970, as organizações criminosas italianas sequestravam frequentemente pessoas ricas ou seus filhos, em geral na região norte do país (mais rica) e pediam resgate.

O exemplo mais notório foi o de John Paul Getty 3º, neto do barão do petróleo John Paul Getty Senior, que foi levado do centro de Roma e mantido por cinco meses por criminosos da Calábria em 1973. A orelha de Getty foi cortada e enviada a um jornal italiano a fim de pressionar a família a pagar o resgate.

O mafioso siciliano Vittorio Mangano, condenado depois por homicídio, morou na casa de Berlusconi perto de Milão em meados dos anos 1970, supostamente para tratar dos cavalos. Na época, Berlusconi tinha dois filhos pequenos com a primeira mulher.

Em 2008, Berlusconi disse que Mangano "se comportava perfeitamente. Ele viveu conosco e acompanhava minhas crianças à escola."

Mangano morreu no ano 2000 de causas naturais.

O promotor de Palermo Paolo Borsellino descreveu Mangano como o "chefe dos interesses comerciais da Cosa Nostra no norte da Itália", em uma das últimas entrevistas que concedeu antes de ser assassinado por um carro-bomba, em 1992.

Embora Berlusconi seja mencionado na decisão da corte, ele não foi envolvido no caso. 

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