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  • Alagoas, de 2014
Cidades

Manifestação pela paz reúne centenas de pessoas no corredor Vera Arruda

Protesto foi organizado após morte do médico José Alfredo Vasco, no sábado

29 Mai de 2012 - 19:47

Foto: William Rocha

Crianças seguram cartaz pedindo mais segurança no Vera Arruda

Crianças seguram cartaz pedindo mais segurança no Vera Arruda

Atualizada à 20h27

Centenas de pessoas se reuniram na noite desta terça-feira (29), no corredor Vera Arruda, no bairro do Stella Maris, para protestar contra os elevados índices de violência de violência e pedir paz em Alagoas.

Vestidos de branco, os manifestantes, adultos, crianças e idosos, seguram cartazes pedindo medidas que garantam a segurança no bairro. A manifestação saiu do corredor Vera Arruda pela Avenida Antônio Gouveia em direção ao Clube Alagoinhas, na Ponta Verde.

O protesto foi organizado por meio de redes sociais depois do assassinato, no último sábado (26), do médico José Alfredo Vasco, de 67 anos, durante uma tentativa de assalto quando passeava de bicicleta pelo corredor Vera Arruda.

Durante uma reunião ocorrida na noite de ontem, em um shopping da capital, foi definida a realização do protesto e de um abaixo-assinado pedindo ao Ministério Público a intervenção federal da segurança pública em Alagoas.  

O início da manifestação também foi divulgado pelo Facebook, com integrantes do movimento postando fotos do protesto. A Polícia Militar ainda não divulgou um balaço de quantas pessoas participam do ato. De acordo com os organizadores da passeata, cerca de 10 mil pessoas percorreram a orla durante o protesto.

‘Morto pelo crack’

Falando à multidão com o auxílio de um carro de som, o filho do médico José Alfredo Vasco, André Palmeira, contou que no local onde hoje existe o corredor Vera Arruda era apenas um matagal há alguns anos.

“A gente brincava aqui, jogava bola, saía para surfar e voltava tranquilo. Meu pai saiu para pedalar e foi morto. Ele não foi morto para pelo roubo de uma bicicleta. Ele foi morto pelo crack e pela cocaína”, disse Palmeira.

“A violência é responsabilidade de todos que estão no poder, não de uma pessoa só. Espero que essas pessoas ouçam e reflitam sobre o que está acontecendo em Alagoas. Faço um apelo para que todas as pessoas, em geral, se unam em favor da paz”, afirmou o filho do médico, destacando que a manifestação não tem o objetivo de tornar-se um ato político.

“Este é um ato civil pela paz, não é nenhum protesto, nenhuma mobilização política”, disse Palmeira. Um dos organizadores do evento, no entanto, reclamou da ausência do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) à manifestação. “Cadê o governador? Ele não está aqui. Está em Brasília”, criticou.

“Hoje morreu outro empresário, vítima de uma saidinha de banco”, lembrou o organizador, referindo-se à morte de José Cassimiro dos Santos, de 52 anos, baleado em uma tentativa de assalto ocorrida no último dia 14. Ele morreu nesta terça, no Hospital Geral do Estado, onde estava internado.

Repercussão

Devido à repercussão do caso, o governador e o secretário de Estado da Defesa Social, Dário Cesar Cavalcante, viajaram para Brasília nesta terça para debater medidas emergenciais de combate à criminalidade com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleise Hoffmann e os diretores gerais da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, além da secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki.

As reuniões acontecem nesta terça e quarta-feira (30).

Estrutura do protesto

Um dos organizadores do ato público que percorre a orla de Maceió nesta terça comentou à reportagem do Tribuna Hoje que o grupo idealizador da manifestação “está preparado, mas não estruturado para o que está acontecendo aqui”.

Demonstrando pouca compreensão dos objetivos da manifestação e também um certo preconceito com moradores de áreas carentes de Maceió, um participante do ato, que não se identificou, declarou à reportagem que "muitos que moram nas periferias, em sua grande maioria, têm motivos para ser assassinados, enquanto moradores da parte baixa [da cidade] são vítimas do que vem acontecendo".

De acordo com o coronel Pantaleão, do 1º Batalhão da Polícia Militar, foram destacados dois soldados para fazer a segurança de toda a manifestação, além das bicicletas e motocicletas que fazem a segurança normal na área. 

Morto no Mutange

Enquanto os manifestantes percorriam a orla de Maceió, mais um homicídio foi registrado em um bairro da periferia da cidade. Um adolescente ainda não identificado foi morto com três tiros na rua Delmiro Gouveia, no Mutange. 

O jovem, que aparentava ter entre 13 e 15 anos, vestia a camisa do CSA e acabou morrendo em frente ao campo de seu time do coração.

Comentários


  • eu em 31/10/2012 as 16:08

    em 31/05/2012 as 02:39

    É digna de louvor a atitude expontânea, porém motivada pelo descaso das autoridades responsáveis pelo destino do município de Maceió - o senhor prefeito- e pelo destino do Estado de Alagoas- o senhor Governador; que tem demonstrado inapetência administrativa a frente do seu desastroso desgoverno. Discordo do comentarista que me antecedeu quando diz que \"drogas é de responsabilidade federal\". O combate às drogas não é só responsabilidade do Governo Federal, mas de todos os governantes municipais, estaduais; mais também de toda a sociedade. Não devemos nos contentar, apesar de válida,porque demonstra a repulsa do povo, com este tipo mafestação, porque necessário se faz, e de há muito tempo, de uma mafestação ou de manifestações mais abrangentes que visem tirar estes governantes, principalmente, o senhor governador que se encontra eternamente dormindo em \"berço esplêndido\" enquanto os malfeitores agem atrevidamente como os senhores absolutos \"da razão e da verdade\". Até quando iremos conviver com isto? Até quando iremos aceitar esta indiferença dos senhores governantes, e da classe política como um todo? A vida seja de quem for deve ser respeitada. Não importa, ou pouco importa a posição social da vítima; o que importa é que vivamos em PAZ, com SEGURANÇA.

    em 30/05/2012 as 15:11

    Todos nós devemos combater as drogas todo sempre, e devemos também zelar por qualquer pessoa seja médico seja um mendingo. Todoss são seres humanos e sofrem do mesmo geito o desprezo do pode público em todas as esferas.(ganguedobem) em 30/05/2012 as 11:35

    Suspeito que deve ter sido a maior manifestação a favor da paz que temos conhecimento na história de Alagoas. Fiquei muito feliz com a quantidade de pessoas, com a concepção não política partidária do ato, sendo algo da sociedade civil, apesar do locutor só acusar o Governador, quando acho que tanto a esfera municipal (lá era local da Guarda Municipal, que estava desativada e usada por usuários de drogas, segundo falaram lá), e, por assim ser, drogas é de responsabilidade federal. Outro ponto positivo é que foi uma manifestação PARA E PELA PAZ, não houve manifestação de raiva (contraditório a quem quer paz). Tb, pela rede social, fiz umas 7 propostas práticas para a segurança pública em Alagoas, o qual, se estudarmos o gráfico da violência em Alagoas, notamos uma ascendência grande nos últimos governos. Assim, o povo de Alagoas está de parabéns pelo sucesso desta manifestação linda e, ao mesmo tempo, triste. PARABÉNS AOS ORGANIZADORES E A MÍDIA que soube cobrir de modo esclarecedor em termos gerais.

    Herbert Torres - cineasta em 30/05/2012 as 02:49

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