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Brasil

Esposa de executivo da Yoki tem pedido de liberdade negado

Defesa queria a revogação da prisão por entender que ela é 'ilegítima'

G1 12 Jun de 2012 - 16:47

Foto: AE

Elize Matsunaga confessou ter matado e esquartejado o corpo do marido

Elize Matsunaga confessou ter matado e esquartejado o corpo do marido

A Justiça em Cotia, na Grande São Paulo, negou o pedido da defesa de Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 30 anos, para que ela respondesse em liberdade pela morte do marido, o diretor da Yoki Marcos Kitano Matsunaga, de 41 anos. A informação foi confirmada nesta terça-feira (12) ao G1 pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Em seu despacho, o juiz Théo Assuar Gragnano, o mesmo que decretou a prisão temporária de Elize em 4 de junho, negou a solicitação do advogado de Elize, Luciano Santoro.

"Não se pode, à míngua de qualquer elemento probatório, presumir que a autoridade policial esteja protelando desnecessariamente a conclusão das investigações (...) Com essas considerações, não demonstrada a alegada ausência de diligências pendentes de realização, indefiro o pedido de revogação da prisão temporária", escreveu o juiz Gragnano em sua decisão.

A defesa queria a revogação da prisão por entender que ela é "ilegítima", já que a Polícia Civil informou que o caso está encerrado, restando apenas os resultados dos laudos periciais. Até as 15h40, a equipe de reportagem não conseguiu localizar o advogado de Elize para comentar a decisão judicial que negou o pedido de liberdade para a viúva.

Morte

O empresário foi morto com um tiro na cabeça e esquartejado com uma faca na noite de 19 de maio no apartamento do casal, na Zona Oeste da capital paulista. No dia 27 do mês passado, pedaços do corpo foram encontrados em sacos plásticos em Cotia.

Elize foi presa no dia 5 de junho. O prazo da prisão temporária é de 15 dias. Ela confessou ter matado o marido e está detida na Cadeia Pública de uma delegacia em Itapevi, também na Grande São Paulo.

Para a Polícia Civil, após ouvir o depoimento de nove pessoas, a investigação concluiu que o crime foi passional e não premeditado.

Elize contratou um detetive particular que flagrou Marcos traindo a mulher com uma garota de programa, função que a indiciada também exercia até conhecer o executivo.

Em seu interrogatório no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), a viúva disse que discutiu com Marcos ao descobrir a traição e que só atirou com uma pistola após ter sido ofendida e agredida por ele. Ela levou cerca de quatro horas para desmembrar o corpo e colocar em três malas. A faca e as malas ainda não foram encontradas. A arma passa por perícia. Elize foi indiciada (responsabilizada formalmente pelo crime) por homicídio duplamente qualificado, por motivo cruel e fútil, e ocultação de cadáver.

O delegado Jorge Carrasco, diretor do DHPP, adiantou que deve relatar o inquérito ainda nesta semana à Justiça com um pedido de conversão da prisão temporária de Elize para preventiva, o que significa que ela pode ficar detida até um eventual julgamento.

Segundo a polícia, restam apenas anexar os laudos periciais conclusivos da Polícia Técnico-Científica. Entre os resultados dos exames que são aguardados, estão os feitos pelo Instituto de Criminalística (IC), sobre qual foi a arma do crime, e do Instituto Médico-Legal (IML), que realiza exame de DNA para identificar o sangue achado no apartamento do casal. Outros laudos que restam são o necroscópico e a de local de crime.

A filha do casal, uma menina de pouco mais de 1 ano de idade, está sob cuidados de uma tia materna no prédio onde ocorreu o crime.

Requisitos da prisão

Na manhã desta terça, o advogado Luciano Santoro havia questionado a possibilidade de que a sua cliente tenha a permanência prolongada na cadeia por causa da conversão da prisão. “Quanto à intenção da polícia em pedir à Justiça a conversão da temporária para preventiva, não há requisitos para isso. Os requisitos para a preventiva são: risco de fuga do indiciado se ele estiver em liberdade, atrapalhar a produção da prova e reiterar a prática do crime. Nenhum dos três requisitos está presente", disse.

Para Santoro, Elize poderia ter fugido antes e agora não o faria se for colocada em liberdade.  "Elize teve 15 dias para fugir, do dia 20 ao dia 4, quando foi decretada a prisão dela, e não o fez. Ela colaborou, participou das diligências, indicou os locais por onde passou, colaborou na produção da prova. Enfim, é ilógico pensar que ela também possa reiterar a prática do crime porque a vítima está morta”, disse o advogado da viúva, Luciano Santoro.

Segundo Santoro, sua cliente jamais teve intenção de matar o marido. “Foi um ato impensado. O início da discussão se deu pela traição. Ele negou, ela colocou a questão do detetive, ele deu um tapa na cara dela, a ofendeu, a humilhou, ela pegou a arma, ele disse que ela era fraca, que iria falar que era garota de programa e tiraria a filha dela e ficaria com a guarda da criança, que tinha dinheiro. Ela se sente arrependida. Ela disse que se pudesse voltar no tempo jamais teria apertado o gatilho”, contou Santoro.

Da traição ao crime

Elize, que já disse em interrogatório ter sido traída pelo marido havia dois anos, quando soube que ele se envolveu com uma funcionária da Yoki, passou a desconfiar de Marcos quando ele saía de casa. Ela contratou um detetive, que passou a seguir o empresário e o filmou e o fotografou na companhia de uma outra mulher.

A garota de programa já prestou depoimento no DHPP e confirmou o envolvimento amoroso com a vítima. Ela falou na sexta-feira (8) que chegou a ganhar um carro Pajero, avaliado em R$ 100 mil, do diretor.

No dia da gravação, Elize estava viajando para o Paraná, onde mora a mãe. As imagens chegaram ao conhecimento dela no dia 19 de maio. No mesmo dia, ela questionou o marido sobre a descoberta da traição. A mulher disse, em depoimento à polícia, que o marido ficou irritado com a "audácia dela de colocar um detetive atrás dele com o dinheiro dele" e a chamou de "vadia e vaca". Segundo Elize, ele ficou nervoso, se levantou e deu um tapa no rosto dela.

A jovem contou que o marido ameaçou "sumir com a filha" e interná-la "para que ela não levasse a filha para longe dele". Foi nesse momento que Elize afirma ter apontado para a cabeça do marido uma pistola 380, que o próprio Marcos Matsunaga havia dado de presente à mulher e que estava em uma cômoda da sala. Ela relatou que o executivo "começou a rir e a chamá-la de fraca e burra" e que voltou a ameaçá-la: "Disse que a vara da família ia saber que ela era prostituta e que ela não tinha condições de ficar com a filha".

Dez horas depois do crime, ela cortou o corpo de Marcos em pedaços. Por volta das 11h do dia seguinte, Elize apareceu em imagens gravadas no elevador de serviço, com três malas, deixando o prédio na Vila Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo. Ela disse à polícia que iria para o Paraná, mas resolveu voltar.

Os pedaços do corpo de Marcos foram jogados em cinco lugares diferentes na região de Cotia. As malas foram jogadas em uma caçamba e a faca, na lixeira de um shopping.

Comentários


  • sem palavras,nada justifica tirar uma vida por pior q ela seja.eu acho q ela se precipitou pois hoje tem o divorcio ne e outra quem perdeu foi ela e a filha q não tem culpa de nada. ela deveria ter pensado mais em sua filha porq marido a gente arruma outro.acho q a liberdade nõ tem dinheiro nesse mundo q compre.olha Elize q Deus tenha misericordia de vc e proteja esse anjo q é sua filha q infelismente vai ser criada sem a mãe e pai, quem somos nós para julgarmos nessa situação é complicado essa é minha opinião.

    edna campo grande em 12/06/2012 as 20:29

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