Famílias plantam mudas de árvores com nomes de vítimas da violência - Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas
  • Alagoas, de 2013
Cidades

Famílias plantam mudas de árvores com nomes de vítimas da violência

Entre 2001 e 2011, foram assassinadas cerca de 17 mil pessoas em Alagoas

13 Jun de 2012 - 12:01

Foto: Tribunahoje

Família planta muda de árvore em homenagem a ente querido vítima da violência em Alagoas

Família planta muda de árvore em homenagem a ente querido vítima da violência em Alagoas

Mudas de árvores foram plantadas na manhã desta quarta-feira (13), cada uma com o nome de uma pessoa morta como forma de homenagear e mostrar a indignação acerca da violência latente no Estado de Alagoas.

A iniciativa faz parte do 11º Ato do Programa Ufal em Defesa da Vida que implanta “Bosques em Defesa da Vida” nos três campi da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

Para a irmã do modelo Eric Ferraz, Vanessa Valéria Ferreira, que foi assassinado no Réveillon do ano passado no município de Viçosa, a dimensão, embora simbólica, é importante, mas não acaba com a violência. “O ato não dimimui a violência, porém traz mais visibilidade no sentido de uma dimensão muito maior do que se tem a fazer no combate da mesma. São pessoas e não números e estatísticas apenas...”, lembrou.


Ato não acaba com violência, mas dar visibilidade para algo muito maior, diz irmã de modelo assassinado


Dona Maria de Fátima Santos que estava acompanhando a família de Eric Ferraz também ressaltou que o ato é de fundamental importância para o fim da violência no Estado. Ela recordou que conheceu o modelo em um trabalho num shopping de Maceió em 2007 e que foi um prazer ter conhecido o rapaz, que se dirigiu a ela como mãe e não tia como comumente os jovens se dirigem as mulheres mais velhas. “Tenho certeza que Eric foi meu filho em outra vida; nosso laço emocional era muito forte. Não tem outra explicação para tal sentimento”, frisou Maria de Fátima, que é espírita.  

A irmã do médico Francisco Rodrigues Freire que foi assassinado na porta de casa na frente de sua mãe de 82 anos, no bairro da Ponta Grossa, disse que o ato promovido pela Ufal é uma forma de manter sempre viva a memória do ente querido. “Temos a sensação de que não se esqueceram das vítimas que foram executadas de forma bárbara”. Juliano Freire que estava plantando a muda da árvore estava emocionado ao lembrar que escolheu seguir a medicina em homenagem ao pai.


Filho de médico executado planta muda e diz seguir a carreira do pai


A neta de seu José Bonifácio Elias Calheiros, de 83 anos, policial civil assassinado dentro de casa no bairro de Bebedouro, registrava o momento da plantação da muda de árvore em homenagem a seu avô morto de forma brutal em fevereiro deste ano em troca de suas armas, jóias e dinheiro. Luciana Maria Calheiros Moreira afirmou que o ato é uma forma de eternizar a lembrança de seu querido avô. “Ele foi morto por traficante da região, mas a polícia até agora não prendeu ninguém”, lembrou.

Seu Sebastião Pereira dos Santos enfatizou que estava sepultando seu filho Carlos Roberto Rocha Santos naquele momento haja vista foi sequestrado e morto e até hoje seu corpo não foi identificado. O crime ocorreu em agosto de 2004. “Este momento é importante já que não tive a sorte de sepultar meu filho, Esta plantação vai ficar como se fosse o tumulo dele, sempre virei aqui para lembrar-se dele vivo, assim como esta muda que para crescer e reproduzir”, disse.


Círculo é formado por familiares, amigos e funcionários da Ufal pela proteção de Deus


Em forma de círculo, familiares, professores e funcionários da Ufal deram as mãos e rezaram juntos a oração do Pai-Nosso no sentido de que as árvores plantadas sejam símbolo da evolução da vida para que também as famílias se unam e não desistam de viver apesar da perda do ente querido. 

Segundo a professora Ruth Vasconcelos, coordenadora do Programa Ufal em Defesa da Vida, a intenção do ato é, ao resgatar as histórias de vida, dar visibilidade ao que os números estatísticos não conseguem revelar.

17 mil assassinatos em dez anos

Entre 2001 e 2011 foram assassinadas aproximadamente 17 mil pessoas entre homens, mulheres, crianças, jovens e idosos no Estado. Desse total, 2.300 perderam suas vidas em 2012. Quem conheceu alguma vítima e deseja participar do ato, basta preencher o formulário, cujo link está disponível no portal da Ufal.   

Comentários


  • Seja o primeiro a comentar.

    Escreva

    O Tribuna Hoje coloca este espaço à disposição de todos que queiram opinar ou discutir sobre os assuntos que tratam nossas matérias. Partilhe suas opiniões de forma responsável e educada e respeite a opinião dos demais.

    Você também pode nos ajudar a moderar comentários considerados ofensivos, difamatórios, impróprios e/ou que contenham palavras de baixo calão: para isso, envie um e-mail para denuncie@tribunahoje.com.

    Digite o código abaixo para enviar seu comentário.