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Após Câmara aprovar processo no Paraguai, Lugo diz que não renuncia

Deputados aprovaram pedido de julgamento político do presidente. Impeachment é pedido após enfrentamento agrário que matou ao menos 17

G1 21 Jun de 2012 - 13:54

Foto: AFP

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, anunciou nesta quinta-feira (21) que não vai renunciar e que vai se submeter ao julgamento político de destituição aprovado pelo Congresso, em consequência de um confronto armado que matou pelo menos 6 policiais e 11 camponeses na sexta-feira passada.

"Este presidente não vai apresentar renúncia ao cargo e se submete com absoluta obediência à Constituição e às leis para enfrentar o julgamento político com todas as suas consequências", afirmou o chefe de Estado em uma mensagem à nação.

Não existe nenhuma causa válida, nem política, nem jurídica, que me faça renunciar a este juramento", acrescentou.

A Câmara paraguaia, controlada pela oposição, aprovou inesperadamente um pedido de julgamento político para destituir  Lugo por "mau desempenho de suas funções", informaram oficialmente fontes parlamentares.

A petição foi aprovada por 73 votos contra 1, após a matança em Curuguaty, a 250 quilômetros a nordeste da capital, Assunção.

Agora, o processo passará ao Senado, que também é controlado pelos adversários de Lugo. Caso seja aprovado, o julgamento de impeachment será realizado no Senado

As próximas eleições presidenciais estão marcadas para 23 de abril de 2013, e o mandato de Lugo termina em 15 de agosto daquele ano.

Eulalio López, líder sem-terra da Liga Nacional de Camperos, envolvida nos violentos choques com a polícia, pediu que seus partidários se mobilizem para defender o presidente.

Em caso de renúncia do presidente, assumirá seu lugar o vice, Federico Franco, líder do Partido Liberal, componente da Aliança Patriótica para a Mudança (APC), a coalizão que venceu as eleições presidenciais de 2008.

O presidente anunciou na quarta-feira a formação de um grupo civil que, com o apoio da OEA, vai investigar o conflito agrário.

Lugo, um ex-bispo da religião católica, eleito há quatro anos com promessas de defender as necessidades dos pobres, tem tido dificuldades para levar sua agenda de reformas.

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