Uma idosa de 82 anos identificada apenas como Maria Luisa faleceu, no último sábado, supostamente por falta de atendimento médico no Ambulatório 24 horas Denilma Bulhões, localizado no bairro do Benedito Bentes, na parte alta de Maceió.
A idosa não teria resistido a mais uma crise de insuficiência respiratória, segundo uma vizinha.
A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) informou por meio da Diretoria de Assistência Pré-Hospitalar (DAPH) que vai investigar o caso, mas já de antemão disse que o atendimento no pronto-socorro do Benedito Bentes está com carência de profissionais de medicina.
A Secretaria ressaltou que, no plantão daquela unidade de saúde, deveria haver dois clínicos e dois pediatras, porém pela carência nos finais de semana, só ficam um clínico e um pediatra.
“Infelizmente a carência de médicos é grande e o problema é nacional, não é somente de Alagoas”, colocou a diretora da DAPH, Aparecida Auto.
A vizinha de dona Maria Luisa frisou que a senhora de 82 anos passou mal em casa e logo foi encaminhada para o pronto-socorro do Benedito Bentes.
A reportagem foi até o Ambulatório 24 Horas na intenção de falar com a direção da unidade hospitalar, porém foi informada de que os diretores identificados como Marcos e Rubian já tinham deixado o local.
A assistente social Andréia Leite, embora não tenha a autorização para explicar o que aconteceu e afirme não saber detalhes do fato, porque não trabalhou naquele plantão de sábado, atendeu à reportagem salientando que a paciente só poderia ser transportada para o Hospital Geral do Estado (HGE), localizado na parte baixa de Maceió, no bairro do Trapiche da Barra, com o encaminhamento do médico. Ela não soube precisar se a idosa teria sido transportada por uma Ambulância Cidadã daquela unidade ou pelo Serviço Móvel de Urgência (Samu/192).
Na busca de salvar a vida da idosa, os familiares dela resolveram levá-la por conta própria para o Hospital Geral do Estado, mas dona Maria Luisa faleceu antes de receber socorro, em decorrência de uma insuficiência respiratória.
A família culpa o Ambulatório Denilma Bulhões de não ter atendido a idosa em tempo hábil. Dona Maria José, a vizinha da vítima, também estava inconsolável com o descaso da Saúde em Alagoas.
Sobrecarga
Médicos deixam serviço público em AL
De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL), Wellington Galvão, dois médicos do quadro do funcionalismo público pediram demissão na última semana.
O sindicalista informou que a categoria não aguenta mais a sobrecarga de trabalho. “Dois médicos com mais de 15 anos no serviço público pediram demissão porque não estavam aguentando. A maioria está saindo de Alagoas e buscando melhores oportunidades fora”, lembrou.
Informado pela reportagem sobre a morte da idosa, após deixar o Ambulatório Denilma Bulhões sem ser atendida, o sindicalista foi enfático ao afirmar que: “Em todos os minipronto-socorros faltam médicos e a carência faz os profissionais que ali estão triplicarem o serviço. A sobrecarga é mostruosa. Um médico com carga horária de seis horas atende de 60 a 80 pessoas. É desumano”, reclamou.
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