Ausência do estado faz do Benedito Bentes palco de crimes - Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas
  • Alagoas, de 2014
Cidades

Ausência do estado faz do Benedito Bentes palco de crimes

15 Agosto de 2011 - 08:06

Foto: Sandro Lima

Conjunto Cidade Sorriso - no Benedito Bentes, onde jovens assassinados moravam

Conjunto Cidade Sorriso - no Benedito Bentes, onde jovens assassinados moravam

Ontem, fez um ano que quatro jovens foram barbaramente assassinados, no entorno do conjunto habitacional Benedito Bentes, localizado na parte alta de Maceió. Bruno Mendes da Silva e Diego Henrique da Silva Galvão, ambos de 15 anos de idade, Lucas Barbosa, de 14 anos e José Ricardo da Silva, de 20 anos, foram assassinados com requintes de crueldade, e até agora o inquérito policial não foi concluído por falta de provas. O crime ficou conhecido como ‘a chacina do Benedito Bentes’.
 
Como não se lembrar deste e de tantos outros assassinatos no bairro que se tornaram emblemáticos, mas que por sobrecarga de inquéritos da delegacia que apura o caso, deficiência do Instituto de Criminalista e lentidão da Justiça faz com que os crimes praticados caiam no esquecimento e os culpados permaneçam soltos.      
 
Quando se fala de violência em Maceió lembra-se logo do Complexo Benedito Bentes que atualmente tem mais de 157 mil habitantes, com 26 conjuntos, 16 grotas e uma favela. São pouco mais de 24 mil casas habitadas naquela região localizada na parte alta da cidade.
 
A falta de políticas públicas tem contribuído e faz do bairro um palco de crimes. Por ano são registrados cerca de 100 homicídios, aproximadamente dois por semana e oito por mês. Apesar dos números, o líder comunitário do bairro, Silvânio Barbosa conta que os índices já foram bem piores. “Antigamente se matava sete ou oito por semana”, apontou.
 
A reportagem esteve no Conjunto Cidade Sorriso, no Benedito Bentes, e ouviu duas das quatro mães que perderam seus filhos de forma trágica. Passado doze meses do fato, elas dizem que ficaram traumatizadas e por conta disso não conseguem mais trabalhar. Dona Josefa Jozete Lima Balbino afirmou que vive 24 horas do dia com as portas fechadas e tem muito medo de morrer do mesmo jeito do filho Ricardo da Silva.
 
“Estou sem saúde desde que aconteceu e não consigo mais nem trabalhar, vivo a base de medicamentos e não gosto nem de olhar para o lado onde aconteceu os assassinatos”, disse dona Jozete apontando para o local onde os jovens foram brutalmente assassinados.  Eles haviam desaparecido na manhã do dia 13 de agosto de 2010 quando saíram de casa - no Conjunto Cidade Sorriso - afirmando que iriam recolher lenha em uma região de mata. No outro dia, 14 de agosto, a Polícia Militar foi acionada e os corpos foram localizados em uma região de difícil acesso, no loteamento Monte Verde.
 
Crime tem reviravolta
 
A Delegacia de Homicídios – que investiga o caso - informou que no crime titulado “chacina do Benedito Bentes” houve uma reviravolta, e uma nova linha de investigação foi levantada. Conforme o chefe de operações da delegacia, Denílson Ferreira, neste momento os investigadores dependem de um exame de comparação balística solicitada ao Instituto de Criminalista de Alagoas (IC/AL) para que se identifiquem os verdadeiros culpados.
 
A época dois policiais foram acusados e presos, o capitão PM Paulo Eugênio e o cabo PM Nascimento, mas foram soltos 45 dias após a prisão por falta de provas. Na residência do capitão foram encontrados estojos com munições que seriam para instrução de tiros do qual o oficial era instrutor. Porém, em caráter excepcional a Justiça determinou que se trancasse o processo que se refere à posse de munição e o capitão foi solto.

Acusado se defende

O oficial se defende das acusações e diz que foi usado como ‘bode expiatório’ por morar no Benedito Bentes há mais de 25 anos, embora desenvolvesse trabalhos sociais para minimizar a criminalidade na área.


 
Ele conta que por realizar trabalhos ostensivos no 5° Batalhão de Policiamento Militar, com base militar no Benedito Bentes, a sua pessoa começou a incomodar os traficantes. “Recebia várias ameaças advindas de traficantes da região e precisei solicitar segurança pessoal, a partir disto me usaram como bode expiatório deste crime onde quatro vidas foram ceifadas. Após isso minha vida acabou, sou um homem sem honra e mesmo livre me sinto preso, pois tomaram a minha dignidade; tive que pedir dispensa médica para fazer tratamento de saúde e hoje voltei a trabalhar, e isso é o que me faz retomar a vida, além de muita fé que tenho em Deus e o apoio da família; tenho certeza de que serão identificados os verdadeiros culpados neste crime”, desabafou o capitão Eugênio.
 
De acordo com o chefe de operações da Delegacia de Homicídios, a reviravolta no caso da chacina do Benedito Bentes se deu em janeiro deste ano, quando os investigadores apreenderam um revólver que já está no Instituto de Criminalística para realizar exame de balística e verificar se o projétil colhido dos corpos dos quatro jovens saiu da arma de fogo apreendida há oito meses.
 
“O mandado de busca e apreensão foi na residência de um dos vigilantes do loteamento Monte Verde onde os quatro jovens foram executados há um ano. Trata-se de Jaime José Lima do qual foi apreendido um revólver em sua casa em janeiro deste ano. Ele trabalhava numa empresa de segurança do capitão Liziário que tomava conta daquela área do loteamento”, disse o investigador.
 
Denílson Ferreira revelou que uma testemunha chave foi ouvida também no início de 2011, inclusive com riqueza de detalhes, mas o endereço dela foi insuficiente a polícia agora encontra dificuldade de encontrá-la.
 
A diretora do IC/AL, Rosana Coutinho, disse que o exame de comparação balística deste crime está no cronograma da perícia, porém por conta do Instituto está sobrecarregado e o equipamento para este exame estar com defeito acabou atrasando o resultado. “Já estamos com outro equipamento – micro comparador balístico e pedimos a prorrogação do prazo para que neste sentido o exame possa ser realizado o mais rápido possível”, concluiu Rosana Coutinho.    

Comentários


  • Como dizia uma antiga música baiana: \"pro NORDESTE o pais via as contas...\"

    sertanejo cagota em 15/08/2011 as 14:46

    Escreva

    O Tribuna Hoje coloca este espaço à disposição de todos que queiram opinar ou discutir sobre os assuntos que tratam nossas matérias. Partilhe suas opiniões de forma responsável e educada e respeite a opinião dos demais.

    Você também pode nos ajudar a moderar comentários considerados ofensivos, difamatórios, impróprios e/ou que contenham palavras de baixo calão: para isso, envie um e-mail para denuncie@tribunahoje.com.

    Digite o código abaixo para enviar seu comentário.