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Política

Jefferson diz que não deseja sofrimento nem a Zé Dirceu

Delator do mensalão se mostrou solidário com os representantes do antigo partido

Estadão 19 Setembro de 2012 - 20:38

Foto: Ilustração

Roberto Jefferson, presidente do PTB

Roberto Jefferson, presidente do PTB

O presidente nacional do PTB e deputado federal cassado, Roberto Jefferson, comprava remédios numa farmácia no Rio enquanto o ministro-relator Joaquim Barbosa pedia sua condenação por corrupção passiva no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele não acompanhou a leitura do voto. Voltou a dizer, no entanto, que não cometeu atos que caracterizem prática de corrupção.

O delator do mensalão se mostrou solidário com os representantes do antigo PL (atual PR) que também tiveram suas condenações pedidas pelo ministro-relator. Disse que entendia o sofrimento pelo qual está passado até mesmo o deputado federal Valdemar da Costa Neto, presidente e líder da legenda na época do escândalo, com quem Jefferson protagonizou violentas trocas de acusação.

"Não me regozijo. O sofrimento que estou passando imagino que é o mesmo que ele esteja vivendo. Ninguém gosta. Se eu não gosto para mim, não gosto para ninguém", afirmou o ex-parlamentar. "Nem para o Zé Dirceu", completou Jefferson, referindo-se ao ex-ministro da Casa Civil, apontado por ele como o mentor do esquema do mensalão. Também réu do mensalão, Dirceu ainda não foi julgado pelo STF.

Delator do esquema do mensalão, o ex-parlamentar havia recebido horas antes alta do Hospital Samaritano, na zona sul, onde ficou internado por uma semana para se recuperar de problemas gastrointestinais e desidratação. Estava nove quilos mais magro. Jefferson foi submetido à retirada de um tumor maligno na região do pâncreas em julho. A internação obrigou sua equipe médica a adiar em uma semana o início da quimioterapia.

Julgamento

"Entendo que ele (Barbosa) está mantendo a mesma posição do início do julgamento, que é a mesma posição do Ministério Público Federal. Essa corrupção passiva não se aplica a mim. Divirjo abertamente. Eu não aluguei a minha bancada no mensalão. Eu não corrompi a minha bancada em atos de ofício em favor do governo. Isso é bobagem", disse o presidente do PTB. "Do ministro Joaquim eu nunca esperei nada. Eu divirjo, mas respeito a decisão do ministro".

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