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Woody Allen diz que só quer 'entreter pessoas' com seus filmes

Cineasta conta que pretende gravar um longa na América Latina

IG 19 Setembro de 2012 - 23:29

Foto: Splash News

o cineasta Woody Allen

o cineasta Woody Allen

O cineasta norte-americano Woody Allen, durante entrevista na Espanha sobre o filme "Para Roma com Amor" , declarou que o principal objetivo de seus filmes é somente "entreter as pessoas".

"São apenas tentativas de entreter as pessoas", insistiu Allen ao exaltar que essa busca deve ser uma prioridade para qualquer diretor. Segundo o cineasta, esse é o seu principal ofício, o qual ele deseja seguir trabalhando "até que a saúde aguente e até quando continuar ganhando dinheiro".

Após filmar em Londres, Barcelona e Paris, o roteirista, músico e escritor, que não descarta a possibilidade de rodar um longa na América Latina, voltou à Europa para dar vida a uma história que foi escrita especialmente para Roma, cidade que, em sua opinião, é enérgica, complicada, cheia de barulho, com trânsito "por todas as partes" e pessoas "que não levam a vida muito a sério".

Allen também exalta que o financiamento é um dos principais motivos para rodar filmes que possuem cidades como protagonistas, como fez em seus últimos longas. No entanto, o cineasta não considera que essa ação se resume em "vender" ideias para quem financia seus filmes.

"Aceitam trabalhar sob minhas condições. Nos EUA, isso não agrada e não me dão dinheiro. No final, eles não lêem nem o roteiro e compram só a minha figura", declarou.

Esse acordo de financiamento acaba beneficiando ambas as partes, já que Allen consegue filmar em lugares que lhe "encanta", enquanto os investidores obtêm em troca uma grande publicidade. Por conta desse fato, a crítica costuma dizer que esses filmes não costumam ser muito mais do que um guia turístico repleto de estereótipos.

O nova-iorquino, que completou 76 anos recentemente e entrou para a história do cinema com filmes como "Manhattan" e "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa", reconhece que talvez esses filmes não tenham em seus genes o necessário para se tornarem obras-primas.

"Ao longo dos anos fiz bons filmes, alguns normais e outros ruins. Em relação à obra-prima, sempre tento e nunca consigo e, após todo esse tempo, começo a pensar que talvez nunca consiga alcançá-lo", afirmou.

Esse aparente destino frustrado parece decepcionar mais à crítica que o próprio Allen, que, por sua vez, diz estar satisfeito com o ritmo que leva. "Gosto de fazer filmes, de escrevê-los, de ir trabalhar de manhã e estar a cada dia com Penélope Cruz, Naomi Watts e todas as mulheres bonitas com as quais já trabalhei", ironizou o diretor, que diz ser consciente que não dispõe do mesmo nível de "concentração e paciência" que levava Stanley Kubrick à perfeição.

Allen, que volta às telas neste último longa-metragem pela primeira vez em seis anos, admite que quando tem confiança nos atores não necessita nem mesmo entender o que estão dizendo. "Atores como (Javier) Bardem e Penélope Cruz já eram incríveis antes dos meus filmes e continuarão sendo depois. (...) Em 'Vicky, Cristina, Barcelona', eu disse para eles improvisar. Nunca soube o que diziam e nem agora, mas eles são e foram convincentes e isso é o suficiente."

Penélope Cruz, que em seu segundo filme com Allen encarna uma prostituta, é para o cineasta "um presente" e "uma estrela de cinema, muito bonita, muito sexy e, o mais importante de tudo, uma atriz extraordinária".

Após "Para Roma com Amor", o diretor segue seu ritmo frenético, de quase um filme por ano, e já se encontra imerso no próximo, que será rodado em San Francisco. Como ainda não sente vontade de parar, Allen acredita que deverá voltar à Europa no futuro, ou ir à América Latina, Rússia e China, ou seja, onde a sua próxima ideia nascer.

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