Jovens teriam sido levados por PMs antes de morrerem - Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas
  • Alagoas, de 2014
Cidades

Jovens teriam sido levados por PMs antes de morrerem

Família dos menores encontrados mortos ontem acusam militares por duplo homicídio

07 Outubro de 2011 - 07:32

Foto: Sandro Lima

Duplo homicídio foi registrado no campo da Salgema, no Pontal da Barra, e será investigado pelo 22º DP

Duplo homicídio foi registrado no campo da Salgema, no Pontal da Barra, e será investigado pelo 22º DP

“Foi o negão da Blazer da Polícia Militar que matou os meninos”, é assim que vizinhos e familiares dos dois jovens que foram encontrados mortos no conhecido campo da Salgema, no Pontal da Barra, denunciam o suposto policial militar que teria assassinado João Victor, de 16 anos, e Jonathan Tenório dos Santos, de 15 anos. O duplo homicídio ocorreu na madrugada de ontem.

O irmão de Jonathan, Jeanderson Tenório dos Santos, 23, é quem denuncia o militar. Ele e moradores do Conjunto Virgem dos Pobres II dizem que viram o momento em que o irmão e o colega foram colocados dentro da viatura militar, quando foram vistos pela última vez.

Ele acredita que foi realmente o ‘negão da Blazer’ que executou os dois jovens. “A morte do meu irmão não vai ficar impune porque não vou me calar. Se nos próximos dias eu amanhecer morto, pode saber que foi o negão da Blazer que me matou”, disse Jeanderson, em referência ao suposto policial.

Ele denunciou que há cerca de um mês o militar vem fazendo ‘o terror’ no Virgem dos Pobres. “Ele faz tudo sozinho; os outros ficam só olhando. Também um guarda-roupa daquele que aguenta três. Para que os outros vão ajudar?”, contou o irmão de um das vítimas. “Foi ele quem fez isso”, reforçava a cada instante da entrevista.

A esposa de João Victor, 16, J.S., que está grávida de dois meses, por trás do rosto sofrido e tímido não escondia o descontentamento com a morte do companheiro. Ela se limitou a dizer à reportagem que “ele só fumava cigarro e nada mais”. A companheira disse que João Victor teria saído de casa por volta das 20 horas da última quarta-feira, sem comunicar para onde estava indo.

Vizinhos dos jovens disseram que os policiais militares que atuam no Virgem dos Pobres usam de truculência na região. Eles também acreditam que os dois jovens foram mortos pelos PMs.
“Eles [policiais] pintam o sete dentro do Conjunto Virgem dos Pobres; barbarizam mesmo. Se eles pegaram os meninos, porque não levaram para a Delegacia de Menores? Porque mataram? Ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém!”, protestaram.

A mãe de Jonathan não quis falar com a imprensa. A avó disse não ter condições de falar por estar passando mal por conta de doenças. “Estou muito doente; não tenho como dizer nada sobre o caso”. Mesmo sem querer se identificar, o pai de Jonathan foi enfático apenas com a seguinte frase: “Quem com porcos se mistura, farelo come”. “Quem se junta com quem não presta...”, concluiu.

O pai explicou que não tinha muito contato com o jovem Jonathan e que estava separado da mãe dele há algum tempo. Ela já convivia com outro homem.

“Trabalho demais e não tenho tempo para saber como estão meus filhos. Tenho pouco contato com eles. Só sei que ele estava estudando”, colocou.

Investigações

A delegada Maria Aparecida de Araújo, titular do 22º Distrito Policial, que investiga o duplo homicídio registrado ontem no campo da Salgema, no bairro do Pontal, anunciou que a primeira pessoa a ser ouvida, na tarde de ontem, foi a mãe de João Victor. Ela disse não saber sobre a denúncia de que teria sido um suposto policial que teria executado os dois adolescentes.

De acordo com Maria Aparecida, a mãe do jovem, que é de Arapiraca, disse que o filho estava envolvido com o tráfico de drogas e outros ilícitos naquela cidade, e por esta razão ambos teriam vindo para Maceió para que ele se ‘regenerarasse’.

“A única coisa que disseram foi que a última vez em que os dois adolescentes foram vistos foi na Praça Santa Tereza, no bairro do Vergel do Lago, com policiais”, disse a delegada.

Maria Aparecida diz que até onde apurou os jovens João Victor, conhecido como ‘Galego’, e Jonathan Santos, conhecido como ‘Boquita’, “eram metidos com o tráfico de drogas e outras coisas”.

O irmão de Jonathan Tenório Santos, Jeanderson Tenório, mostrou marcas de agressão física nos braços, que segundo ele teriam sido numa suposta pisa dada pelo tal policial militar, que ele identifica como “Negão da Blazer”. “Ele me deu uma surra e me arrastou pelas pernas de uma esquina a outra”, relata.

O comando da Polícia Militar não quis se pronunciar sobre o caso. A recomendação para o tipo de denúncia é que seja levada até a Corregedoria da PM, para que seja aberto inquérito administrativo.

Comentários


  • agora de alguma coisa daqui a uma semana ninguem lendra.poliçia não tem direito de matar.

    cabuloso em 07/10/2011 as 23:43

    não vai dar en nadar.mesmo eles sendo errado ninguem tem direito de matar.

    PALMEIRA em 07/10/2011 as 15:32

    Inquérito contra o policial? Se tivesse sido o contrário nada teriam feito, faça-me o favor, um bando de vagabundo traficante, tem mais é que morrer mesmo, já que nesse país e lei não funciona e não tem cadeia suficiente, que se mate mesmo.

    Maria em 07/10/2011 as 14:52

    Quando bandido é preso com arma diz que comprou ao negão da bicicleta, quando leva cacete ou morre foi o negão da blaizer, isso é que é gostar de negão.kkk

    negritude junior em 07/10/2011 as 13:35

    Escreva

    O Tribuna Hoje coloca este espaço à disposição de todos que queiram opinar ou discutir sobre os assuntos que tratam nossas matérias. Partilhe suas opiniões de forma responsável e educada e respeite a opinião dos demais.

    Você também pode nos ajudar a moderar comentários considerados ofensivos, difamatórios, impróprios e/ou que contenham palavras de baixo calão: para isso, envie um e-mail para denuncie@tribunahoje.com.

    Digite o código abaixo para enviar seu comentário.