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'Eu namorei Romário durante um ano', diz transexual Thalita Zampirolli

Modelo afirma que perdeu trabalhos após exposição de suposto affair. Romário nega romance: 'Está chegando carnaval e ela quer voltar à mídia'.

Ego 11 Fevereiro de 2014 - 14:07

Thalita Zampirolli, capixaba de 24 anos, nasceu Júlio Campos na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. A vida da morena de corpo escultural não interessava a ninguém, até ela ser flagrada, em dezembro de 2013, deixando uma  boate no Rio de mãos dadas com o ex-jogador e deputado federal (PSB-RJ), Romário.

A exposição acabou provocando o interesse da imprensa e foi revelado que Thalita é transexual. Apesar do burburinho em torno de seu nome, a jovem conta que a revelação a fez perder contratos como modelo, causando prejuízo financeiro. Contando com o dinheiro de futuros trabalhos, Thalita teria contraído dívidas e, sem dinheiro para bancar as contas, entrou em depressão. Segundo ela, as grifes para as quais ela fotografava não concordaram em ver seu nome ligado à imagem de uma transexual: "Cancelaram contratos dizendo que eu agi de má fé e que eu deveria ter contado antes, não ter omitido que era transexual".

O mesmo preconceito a jovem teria enfrentado com Romário. Segundo Thalita, ela e o ex-craque namoraram por um ano e ele era carinhoso e companheiro com a suposta namorada. Tudo teria mudado quando foi revelado que ela havia se submetido a uma cirurgia de troca de sexo. Thalita garante que o ex-namorado não sabia que ela era transexual. “Acredito que ele deve ter ficado chateado comigo, sim. Mas ele tem que entender que sou uma mulher. Tivemos um relacionamento durante um ano e foi bom enquanto durou”, ressalta.

Procurado pelo EGO, Romário rebate as declarações de Thalita: "Essa informação (de que teriam namorado por um ano) não bate. Um dia ela diz uma coisa, outro dia diz outra. O que aconteceu em relação a ela foi que, naquele dia da boate, eu fui para a minha casa e ela foi para a dela. Não aconteceu nada. Ela não pode dizer que namorou comigo durante um ano porque estou separado há 1 ano e depois disso só tive dois relacionamentos. Não consigo namorar escondido. Claro que o que ela está dizendo não procede.  Eu inclusive estou preparando uma ação e vou entrar contra ela e contra qualquer veículo que continuar divulgando essa história sem fundamento. Está chegando o carnaval e ela deve estar querendo voltar para a mídia".

Leia a seguir trechos da entrevista com Thalita Zampirolli ao EGO.

EGO: Como está sua vida após o envolvimento com Romário?
Thalita Zampirolli:
 Foi complicado no começo, quando minha outra identidade foi revelada. Entrei num quadro de depressão muito grande. Não esperava isso da minha vida. Perdi contratos de trabalho. As portas se fecharam quando descobriram que eu era transexual. Depois que essa bomba veio à tona, afundei financeiramente. Contraí dívidas, pois os trabalhos que eu contava foram cancelados. Foi e está sendo ainda muito complicado.

Isso é uma coisa que bato de frente: sou uma mulher. Ele me via como mulher e ele não me deu chances para me explicar"
Thalita sobre Romárior

Que tipos de trabalhos você fazia antes de se tornar conhecida?
Sempre fui modelo de moda fitness e de moda praia. Fazia catálogos, feiras e ninguém sabia da minha vida particular. Eu sou mulher. Tanto que me operei muito cedo, aos 18 anos. Sempre tive atitude de mulher. Fui descoberta e hoje as portas se fecharam para mim.

Quando você resolveu trocar de sexo?
Queria operar antes dos 18 anos. Minha família tentou conseguir isso na Justiça, mas foi em vão. Eles alegam que é uma cirurgia definitiva, que não tem volta. Finalmente quando fiz 18 anos meus avós me deram de presente a cirurgia de troca de sexo.

Sua família apoiou você na troca de sexo?
Minha mãe faleceu quando eu tinha 12 anos de aneurisma cerebral. Meu pai é fazendeiro e meus avós foram tudo para mim. Eles que me criaram. Minha cirurgia foi feita em São Paulo bancada pelos meus avós. Eles estiveram presente em todos os momentos da minha vida.

Como foi acordar da mesa cirurgia com o sonho realizado?
Eu chorei, foi emocionante. Foi um dia especial na minha vida. Digo que sou como a Fênix: renasci.

Dizem que o pós-operatório é muito dolorido. Como foi?

É uma cirurgia dolorosa como qualquer outra. O pós-operatório é delicado mesmo, mas tendo apoio e carinho das pessoas que você gosta tudo fica mais fácil. Mas meu tratamento hormonal começou aos 15 anos de idade até a cirurgia. Com esse tratamento, meu corpo cirou glândulas, peito...  Com 18 anos coloquei próteses de 525 ml de silicone nos seios.

O que você fazia antes de ser modelo?
Sou formada em Desenho Industrial pela UFRJ. Nasci em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. Sempre gostei de arte e televisão. Ia fazer Artes Plásticas, mas aqui no Brasil não valorizam as artes. Mas no Rio surgiu a oportunidade de trabalhar como modelo e deixei a carreira estacionada.

Como você conheceu o Romário?
Conheci ele há um ano. Fomos apresentados por amigos em comum durante uma festa. Viramos amigos e aconteceu esse relacionamento entre nós. Eu namorei o Romário.

Mas ele nega...
Ele nega . Eu tento entender o lado dele, mas ao mesmo tempo eu não entendo. Porque foi uma forma de defesa dele, rolou um pouco de preconceito quando ele disse que gosta mesmo de mulher.

Quanto tempo você namorou o Romário?
Um ano.

Ele sabia que você era transexual?
Ele não sabia.

Um homem hétero quando tem relação sexual com um transexual não sente a diferença?
Para fazer essa cirurgia procuramos os melhores médicos. A cirurgia ficou perfeita.

Quando eu ia para Brasília, ele me dava carinho. Ele é maravilhoso, supercompanheiro e protetor."
Sobre Romário

Então não dá para confundir um homem?
Não dá para perceber.

Quando o Romário descobriu que você era transexual?

No dia em que deixamos o Barra Music (casa de shows no Rio) juntos, os jornalistas investigaram a minha vida. Ligaram para a minha cidade e descobriram que eu tinha dado uma entrevista como a primeira transexual de Cachoeiro de Itapemirim a fazer a cirurgia de troca de sexo. Aí descobriram o meu passado.

Romário era um bom namorado?
Durante esse um ano ele foi muito companheiro e presente. Quando eu ia para Brasília, ele me dava carinho. Ele é maravilhoso, supercompanheiro e protetor.

Ele faz realmente jus à fama de pegador?
Vou deixar em off (risos).

Romário procurou você depois disso tudo?
Procurou. Na verdade, eu fui procurá-lo porque queria saber como reagir. Estava sem saber o que fazer. Mandei mensagens pelo telefone dizendo que queria ter contado antes, mas que ele não tinha me dado oportunidade. Isso é uma coisa que bato de frente: sou uma mulher. Ele me via como mulher e ele não me deu chances para me explicar. Quando ele disse que gosta mesmo é de mulher, procurei a mídia para não me passar por mentirosa. Não tenho nada contra ele. Tem um coração enorme, ajuda ao próximo.

Vocês não se encontraram mais?
Nunca mais nos encontramos

E você teve relacionamento com outros jogadores de futebol?
Prefiro não comentar sobre isso. Tive relacionamentos com pessoas que estão bem em alta na mídia. Mas prefiro não revelar os nomes. Conheci essas pessoas trabalhando nesse meio.

Thalita Zampirolli (Foto: Roberto Teixeira/EGO)
Thalita Zampirolli (Foto: Roberto Teixeira/EGO)

Ser transexual excita mais os homens?
Não sei. Sou mulher, não consigo me ver como transexual. Como diz minha psicóloga, para ser mulher não precisa ter um corpo e um órgão sexual no meio das pernas. Tem que ter o espírito e agir como mulher.

E como estão os trabalhos hoje?
Quando a noticia veio à tona, cancelaram contratos dizendo que eu agi de má fé, que eu deveria ter contado antes e não ter omitido que era transexual. Foi quando cai em depressão. Sempre contei com os meus avós, mas não posso depender da minha família para tudo, sou maior de idade, entende? Estava destruída sem saber o que fazer.

Com quem você mora no Rio?
Moro com meus tios, em Copacabana.

Você acha que o Romário ficou chateado com você?
Acredito que ele deve ter ficado chateado, sim. Mas ele tem que entender que sou uma mulher. Tivemos um relacionamento durante um ano e foi bom enquanto durou.

Com foi a sua primeira vez após a troca de sexo?
Fui virgem até trocar de sexo. Tinha preconceito de mim mesma com aquele órgão sexual masculino. Aos 16 anos já queria trocar de sexo. Me inspirei muito na Roberta Close. Quando operei, renasci das cinzas. Foi ótimo me olhar no espelho e estar completa. A primeira relação sexual foi seis meses depois da cirurgia. Aconteceu com uma pessoa bem especial na minha vida.

O que você espera do futuro?

Quero ser reconhecida como modelo fotográfico, que batalhou muito na vida para ser o que é: uma pessoa honesta, digna e quero que as pessoas me vejam com uma verdadeira profissional.

Depois que descobriram que você é transexual como ficou o assédio?
O assédio aumentou pela curiosidade. Antes diziam: ‘Que gostosa!’. Agora dizem: ‘Ela é muito bonita para ser transexual. Será que é perfeita? Não acredito que ela foi homem um dia.’

Thalita Zampirolli (Foto: Roberto Teixeira/EGO)
Thalita Zampirolli na praia do Leme (Foto: Roberto Teixeira/EGO)

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