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Parlamento da Crimeia vota por se incorporar à Rússia e marca referendo

Aprovação foi feita por unânimidade nesta quinta-feira (6). Mais cedo, foi anunciado referendo para decisão sobre status da região.

globo.com 06 Março de 2014 - 12:07
Homens armados que estariam a serviço da Rússia marcham do lado de fora de base militar ucraniana em Perevalnoye, na Crimeia (Foto: Vasily Fedosenko/Reuters)

Homens armados que estariam a serviço da Rússia marcham do lado de fora de base militar ucraniana em Perevalnoye, na Crimeia (Foto: Vasily Fedosenko/Reuters)

O Parlamento da Crimeia votou unanimamente a favor de se tornar parte da Rússia nesta quinta-feira (6), informou a agência de notícias RIA. Pouco antes da decisão, o vice-premiê da região afirmou que um referendo sobre o status da região será realizado em 16 de março.

Segundo o texto aprovado pelo Parlamento, foi acertado "entrar na Federação Russa com os direitos de um sujeito da Federação Russa".

Segundo o vice-premiê da Crimeia, Rustam Temirgaliev, no referendo de 16 de março os eleitores poderão escolher entre uma união a Rússia ou uma autonomia maior a respeito de Kiev.

Segundo informaram fontes do Governo pró-Rússia da Crimeia, a pergunta que será feito na consulta será: "Você é a favor da reunificação da Crimeia com a Rússia como parte da Federação Russa?".

A consulta terá uma segunda questão: "Você é a favor que volte a vigorar a Constituição da Crimeia de 1992 e o status da Crimeia como parte da Ucrânia?".

arte crimeia 05.04 (Foto: Arte/G1)

Segundo Temirgaliev, a Crimeia pode adotar a moeda russa, o rublo, e “nacionalizar” as propriedades estatais caso a adesão à Rússia seja concluída.

De acordo com o vice-premiê, a decisão de se integrar à Rússia já está em vigor.

"A decisão do Conselho Superior (Parlamento regional) sobre a unificação da Crimeia à Rússia entra em vigor no momento de sua adoção, ou seja, a partir de hoje", disse Temirgaliev.

O vice-primeiro-ministro, além disso, disse que o referendo é necessário "para que os cidadãos da Crimeia referendem essa decisão do Parlamento" regional.

Por outro lado, o presidente do Conselho Superior crimeano, Vladimir Konstantínov, assegurou que a decisão sobre o referendo foi adotada com a esperança de que os russos iniciem os procedimentos jurídicos para a reunificação do território com a Rússia.

Rússia x Ucrânia
O presidente russo, Vladimir Putin, já foi informado do desejo da Crimeia de fazer parte da Federação Russa, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, citado pela televisão estatal local.

Segundo a agência RIA, Putin discutiu a questão em uma reunião com seu Conselho de Segurança nesta quinta.

Ainda na Rússia, uma lei que simplifica o processo para "partes de Estados estrangeiros" integrarem a Federação Russa pode ser adotada na semana que vem, disse um político responsável pelo projeto.

"Falando claramente, esta lei foi introduzida por mim em prol da Crimeia", disse Sergei Mironov, segundo a agência de notícias Itar-Tass.

Após o anúncio, o ministro da Economia ucraniano, Pavlo Sheremeta, afirmou que o referendo será inconstitucional. Já os tártaros da Crimeia pediram uma reação urgente da comunidade internacional diante da decisão do Parlamento – para o líder dos tártaros, Refat Chubarov, a medida foi tomada por “loucos”. Os tártaros representam 12% da população da Crimeia.

Os Estados Unidos já denunciaram que o referendo não tem legitimidade sem o aval de Kiev.

Tensão
A Crimeia é uma república autônoma da Ucrânia, localizada em uma península no Mar Negro. A região já pertenceu à Rússia, e foi anexada pela Ucrânia em 1954 – o então líder soviético Nikita Khrushchev, que era de origem ucraniana, deu a região como presente.

Diferente do resto da Ucrânia, a maioria da população na região é de origem russa - a Crimeia tem dois milhões de habitantes, das quais 60% são russos, 26% ucranianos e 12% tártaros, que são favoráveis a manter a região na Ucrânia.

Ela se tornou o foco da atenção da diplomacia internacional nas últimas semanas com uma escalada militar russa e ucraniana na região. As tensões separatistas da região, de maioria russa, se tornaram mais acirradas com a deposição do presidente ucraniano Viktor Yanukovich – o que levou a Rússia a aprovar o envio de tropas para “normalizar” a situação.

A ação russa levou a Ucrânia a mobilizar suas tropas e afirmar que recebeu uma "declaração de guerra". A escalada de tensão fez com que diversos países do ocidente tentassem resolver a situação via diplomacia.

As novas autoridades de Kiev não reconhecem o governo da Crimeia, que por sua vez considera ilegítimo o executivo central e seguem considerando como presidente da Ucrânia o deposto Yanukovich, refugiado na Rússia.

Comentários


  • acho que o povo decide isso, não os politicos.

    adalaberto. em 06/03/2014 as 20:02

    acho que o povo decide isso, não os politicos.

    adalaberto. em 06/03/2014 as 19:55

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