Suspeito de roubar mulher que acusou ator por engano é preso - Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas Tribuna Hoje - O portal de notícias que mais cresce em Alagoas
  • Alagoas, de 2014
Brasil

Suspeito de roubar mulher que acusou ator por engano é preso

Ator Vinicius Romão ficou preso 16 dias por engano pelo crime

G1 07 Março de 2014 - 15:44

Foto: G1

Preso está na delegacia

Preso está na delegacia

Policiais da 26ª DP (Todos os Santos), do Rio, prenderam em flagrante, na noite desta quinta-feira (6), Dione Mariano da Silva, de 24 anos, suspeito de ter roubado a mulher que admitiu ter se enganado ao apontar o ator Vinicius Romão como assaltante. Dione tem passagens por furto e estava com um revólver, apreendido. Ele foi autuado por porte ilegal de arma.

Na delegacia, Dione Mariano da Silva negou que seja o autor do crime, mas confessou que é viciado em cocaína e é usuário de maconha. Ele disse que é morador de rua e dorme na Rua Piauí, no bairro Todos os Santos, no Subúrbio. A família do suspeito mora em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. "É uma injustiça, estou sendo acusado de uma coisa que não fiz. A vítima não veio até agora me reconhecer", disse Dione.

O ator e vendedor Vinícius Romão de Souza foi preso após ser acusado por uma mulher de tê-la assaltado e ficou 16 dias preso na Cadeia Pública Patrícia Acioli, em São Gonçalo, Região Metropolitana. A copeira Dalva Moreira da Costa o reconheceu por engano no dia do crime. Após assumir o erro, ela pediu perdão pela acusação, durante o programa "Encontro com Fátima Bernardes", no dia 27.

"Em primeiro lugar, quero pedir perdão. Estou pedindo ao Espírito Santo para tirar toda mágoa, toda tristeza e toda depressão do seu coração. E dizer que Deus é fiel e que estou aqui reconhecendo o meu erro", contou, por telefone.

A copeira disse ainda que se sente aliviada pela liberdade de Vinicius. "Eu estou dando glória a Deus que ele foi solto. Estou comemorando. O local era escuro e naquele momento eu tinha que identificar. Eu fui, fiquei esperando, e ele, infelizmente, passou na hora errada. Mas eu estava nervosa, falei que tinha problema de vista e estava sem o óculos. Infelizmente, ele parecia com o suposto ladrão e naquele nervosismo, quando o policial falou: 'É ele?'. Eu disse: 'É parecido'. O policial disse que não poderia haver dúvidas. Eu perguntei pra ele se ele tinha pegado minha bolsa", narrou ela.

Durante a entrevista, Vinícius explicou a situação que o levou para a cadeia. Ele confessou ter ficado com medo de reagir à prisão injusta por parte da polícia. “Eu estava voltando para casa e fui abordado. Não esbocei nenhuma reação porque se eu corresse ou confrontasse talvez não estaria aqui hoje relatando o que aconteceu”, disse.

O jovem de 26 anos foi solto na quarta-feira (26) e contou como foi a primeira noite em casa, após duas semanas dividindo a cela com mais de 10 detentos. “Eu não consegui dormir, vi os vídeos de tudo o que aconteceu porque eu não sabia de nada. Fiquei sabendo que meus amigos estavam lá na segunda, quando os policiais me contaram que eu estava aparecendo na televisão e que meus amigos estavam se mobilizando”, contou.

Ator perdoa acusação

Poucas horas depois de sair da cadeia, Romão falou com jornalistas no playground de seu prédio, no Méier, Zona Norte do Rio. Na ocasião, ele reencontrou amigos, que gritavam seu nome, emocionados. Sobre a copeira Dalva Moreira da Costa, que o acusou, ele disse que ela errou e que a perdoa. Ele disse ainda que é preciso descobrir outros "Vinícius".

"Tem muitos Vinícius lá dentro. Meus amigos lutaram por mim aqui fora, coisa que eu não podia fazer. Se não fosse por eles, estaria apodrecendo lá como muitas pessoas estão", agradeceu, sem mágoas da copeira. “Eu não guardo rancor. Ela foi vítima. Pelo que ela diz, foi assaltada, estava nervosa e infelizmente me confundiu. Eu vou ter oportunidade de falar com ela. Só quero dizer que perdoo ela e ela pegou o cara errado”, completou.

Para o ator, o momento mais difícil de toda a história foi quando foi abordado pelo policial na hora do assalto. "Ele apontou a arma pra mim. Foi a parte mais revoltante."

Condições 'desumanas'

Vinícius denunciou condições "desumanas" na cadeia e contou que ficou em uma cela com cerca de 15 detentos, presos por tráfico de drogas e pela Lei Maria da Penha, e dormiu no chão, em papelões. "Eu falei que era neutro e fiquei num lugar que não tinha facção", explicou. "Meu maior medo foi que fizessem alguma coisa comigo, mas não pelo pessoal do meu convívio. Preferi ficar junto com outras pessoas e não queria ficar sozinho numa cela [tinha direito por ter diploma de curso superior]."

Mesmo após 16 dias preso injustamente, o ator diz que conseguiu tirar boas lições: "Eu li 'Polyana' [clássico da literatura infanto-juvenil], que sempre tira coisas boas de tudo que acontece. O que eu tirei de bom é aproveitar cada minuto. Cada coisa que a gente não leva a sério, como abrir a geladeira e beber uma água. Lá a água eu bebia na hora do banho, quando a gente enchia as garrafas", contou, ansioso para voltar ao trabalho como vendedor, na loja em que foi efetivado recentemente. "Estou com saudades e sei que eles vão me receber de braços abertos."

Um oficial de Justiça levou o alvará de soltura à casa de detenção, onde amigos e parentes também o aguardavam. O ator ficou preso em uma cela com mais 15 detentos. A chegada do alvará de soltura atrasou por falta de luz na Central de Mandados de Alcântara, em São Gonçalo.

No dia 25, a 33ª Vara Criminal do Rio concedeu habeas corpus a Romão, depois que a copeira Dalva Moreira da Costa, vítima do roubo, afirmou em novo depoimento na 25ª DP (Engenho Novo) que se enganou ao fazer o reconhecimento do ator como o suposto ladrão. Após ouvir o depoimento, o titular da delegacia, delegado Niandro Lima, pediu à Justiça do Rio habeas corpus para o ator.

Mesmo após conseguir a liberdade, Vinícius Romão terá de responder a processo por roubo.

Prisão é investigada

A Corregedoria da Polícia Civil do Rio de Janeiro vai investigar se houve irregularidades na prisão do ator. As condutas do policial Waldemiro Nunes de Frietas Junior, que trabalha na 11ª DP (Rocinha), e do delegado que estava de plantão no dia, Willian Lourenço Bezerra, serão analisadas.

Vinicius disse que o advogado vai cuidar de uma possível ação, mas não confirmou se vai processar. "Eu acho que eu tinha que ligar na hora do ocorrido, mas não consegui, só no dia seguinte", disse.

Copeira volta atrás

A reviravolta no caso ocorreu com o depoimento de Dalva. Ela disse que pensou em ir à polícia no dia seguinte para retirar a queixa, mas não tinha dinheiro para a passagem. "Ela admite a hesitação no primeiro reconhecimento dele, o que é natural, porque foi uma ação violenta e ela pode ter se confundido", explicou Niandro. O delegado disse também que não acredita em má-fé. "Ninguém dos dois teria interesse em prejudicar uma pessoa inocente."

Pai aliviado

O pai de Vinícius, Jair Romão falou sobre como reagiu ao saber da notícia da liberdade do filho. "Graças a Deus, ocorreu tudo bem, como eu esperava. Em momento algum eu admitia ele ter sido o culpado de cometer esse roubo", disse, sem saber explicar como vai reagir ao reencontrá-lo. "Ah, emoção a gente só pode dizer no momento o que vai ocorrer."

O G1 teve acesso ao registro de ocorrência do caso. No registro, a vítima contou que após o assalto o homem teria pulado o muro da estação de trem para fugir e que dentro da bolsa roubada havia a quantia de R$ 10, um crachá, um celular e documentos. Ela contou que o homem estava de camiseta e bermuda preta, era negro e tinha o cabelo estilo black power.

No registro de ocorrência, o policial militar que fez a prisão afirma que nenhum pertence da vítima foi encontrado com o ator. "No depoimento, o policial disse que o Vinicius tinha passado o material para uma pessoa conhecida como 'Braço', só para justificar a prisão dele, mas não fez nenhuma diligência para procurar essa pessoa", disse Jair Romão.

Comentários


  • Seja o primeiro a comentar.

    Escreva

    O Tribuna Hoje coloca este espaço à disposição de todos que queiram opinar ou discutir sobre os assuntos que tratam nossas matérias. Partilhe suas opiniões de forma responsável e educada e respeite a opinião dos demais.

    Você também pode nos ajudar a moderar comentários considerados ofensivos, difamatórios, impróprios e/ou que contenham palavras de baixo calão: para isso, envie um e-mail para denuncie@tribunahoje.com.

    Digite o código abaixo para enviar seu comentário.